Elocubrações sobre o mundo atual me levam a crer que apontam no horizonte movimentos claros de mudança. Existe um borbulhar de questionamentos tanto em âmbito social, material como na esfera das corporações. Os limites entre a Terra e o sideral nos ensinam sobre a finitude de nossa estrutura. Nos recordam, desde que o homem se aventurou pelo espaço e registrou nosso espectro globular, que somos finitos e ao mesmo tempo interconctados e interdependentes.

Ao mesmo tempo não há como admirar nossa Gea sem perceber que as fronteiras que nos separam são construções voláteis criadas pelo homem e sua vaidade, o homem e seu poder, o homem e sua sede de obter aquilo que não tem – febres das quais o humano padece desde seus primórdios. Mas se os primórdios não mais são uma realidade cabível, há a necessidade latente de revisão e de movimento em busca do que hoje seria o ideal de interdependência e congruência tanto na Terra – como território Uno, quanto nos sistemas que nos interligam e nos conglomeram. Um dia bradamos ser a Terra o centro do universo – o Geocentrismo foi nosso modelo cosmogológico mais antigo, depois trouxemos o Sol como eixo principal através do Heliocentrismo, e depois disputamos entre Deus e o Homem a vaga como centro do conhecimento humano. No processo de descobrimento de nossas posições e verdades muitos foram acusados, delatados, e célebres receberam a morte como contrapartida de suas descobertas.

Enfim, por mais que tenhamos alcançado quaisquer compreensões, postulamos e condecoramos nosso Ego como centro das galáxias e de todos os movimentos. Sim, o Homem sempre ocupou o ápice das estruturas e das pirâmides hierárquicas de quaisquer sistemas em que esteve envolvido. Nem a ciência, nem a espiritualidade por mais que em ciranda apontassem seus preceitos, tiraram o Homem do trono dourado estabelecido bem no topo das hierarquias divinas. Assim fizemos nossa história, assim nos embrenhamos em lutas, guerras, confrontos e conquistas. Assim nos ensinaram a tratar os desprivilegiados, os ditos inferiores e todos os demais “membros” e co-autores de nossa natureza – diga-se: plantas, animais, minerais e logicamente o próprio homem-semelhante.

O fato é que hoje, em pleno pulsar do século 21, os sistemas piramidais hierárquicos parecem apontar para um colapso, para o ruir de sua  forma unidimensional-triangular. Foi esquecido que as pirâmides são tridimensionais, e que inclusive não se prezam à esse sistema de egos em brasa. As verdadeiras pirâmides foram monumentos erguidos em busca do divino, apontando ao mais alto e elevado e não ao mundano, como depois as copiamos estabelecendo sistemas limitados e limitantes. Para nossa sorte outro modelo aponta no horizonte e traz uma nova forma geométrica como tradução do novo e corajoso momento-movimento. O círculo vem aparecendo como uma nova e bela estrutura de conexões, aprendizados e sistemas. O círculo que é a Terra, que é o centro, que é o ovo, que é a vida. O círculo emerge nos novos ideais de conexão, brotando em sistemas das mais diversas áreas como nas artes, educação, sustentabilidade, nas comunicações, no modelo de consumo e como não poderia faltar; nos próprios sistemas de gestão.

As organizações de ponta iniciam uma jornada em busca de materializar em seus modelos o reflexo dessa nova tendência, que mais do que um modismo, revela os anseios de uma sociedade em avanço social e filosófico. Nosso eixo está migrando para um conceito circular de ecossistema que abraça as mais diversas áreas, estamos partindo do Ego para o Eco, logicamente não apenas no sentido de ecologia|sustentabilidade, mas sim em lato sensu. As corporações começam a se apropriar desse conceito e novos sistemas vem sendo criados e implementados para revelar esses novos ecossistemas de gestão e funcionamento orgânico.

Sistema Mandala, Metamodelo Integral de Gestão, Sistema Ameba de Gestão Descentralizada – implementado pela Kyocera, o Sistema BCI – Biomimética para Inovação Criativa (Biomimicry for Creative Innovation), passando pelo Movimento Integral de Ken Wilber, entre outros inúmeros sistemas criativos, orgânicos,  e não hierárquicos vem numa toada nascente para trazer a circularidade, capilaridade e integração, irrigando o antigo solo já em falência. O próprio B Corporation, ou certificação B, já tem cadastradas mais de 800 companhias – consideradas as melhores empresas “para” o mundo, novamente apontando para um modelo circular que integra a corporação, seus gestores, colaboradores e o impacto que causam no globo. Isso sem falar na economia de compartilhamento em crescimento exponencial que vem mudando a maneira de consumir de toda uma geração (vide ed. de agosto da HBRB – pág. 85) . O olhar está em mutação e aponta para novas realidades mais justas, promissoras e fidedignas.

Os sistemas cirlulares colocam todos como co-criadores e igualmente resposáveis pelas realidades produzidas. Líderes e liderados abraçam causas comuns e apontam para legítimos resultados, tanto no âmbito político, social como profissional. A formação de círculos virtuosos ganha relevância e abraça diversas áreas do conhecimento.

Acredito na mudança trazida por essa nova escala de aprendizagem, produtividade, paixão e movimento. Acho que os próximos 10 anos irão delinear os caminhos de nossa humanidade e qual estrada seguiremos num largo horizonte: podemos emergir como um novo modelo de humanismo global sem tantas fronteiras e ataques de poder, onde a essência da colaboração e da interdependência legítima ultrapassem os anseios de poucos egos, ou vamos sucumbir aos triângulos hierárquicos, que numa toada obsoleta podem levar tudo a perder com seus chefes que não são líderes, com suas populações padecendo às bases dessa geometria, nesse caso – nada sagrada, imersos num mundo sem água potável e com muitas clareiras lotadas de sujeira material e imaterial produzida. A hora é essa de fazermos as mudanças necessárias para que os círculos virtuosos avancem em todas as esferas de nossas relações e para que abandonemos de vez o modelo já estéril de “antropoEGOcentrismo”.

Por Luah Galvão

 

Idealizadores do projeto Walk and Talk – A volta ao mundo em busca da motivação, os especialistas no assunto Luah Galvão, atriz e apresentadora e Danilo España, fotógrafo, viajaram por mais de 2 anos – visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema Motivação e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos  para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br

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