“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.” | Oscar Wilde

 

Dizem que quem cala consente, mas o oposto disso também pode ser perigoso.

Viajando por mais de 2 anos pelo mundo, algumas coisas ficaram claras. Os brasileiros estão entre os povos mais exuberantes nos gestos e ações e talvez, salvo os italianos, sejamos os mais barulhentos. Temos uma herança genética multifacetada, uma mistura de muitos povos e raças fortes que explica um pouco essa opulência toda.

Falamos alto demais, gesticulamos num plano abertíssimo perdendo a noção de espaço e como somos fracos em limites e falamos pelos cotovelos, deixamos passar informações que muitas vezes não poderiam vazar. Atenção nisso!!

Na nossa passagem pela França, Holanda, País de Gales, Inglaterra, entre outros destinos, percebemos que a discrição é uma marca forte desses povos. Poucos são os falatórios nos metrôs, trens ou aviões. O volume acústico das conversas mesmo em bares e restaurantes se restringe às mesas dos interlocutores. Em muitos lugares da Ásia notamos o mesmo comportamento. Em geral as conversas são reclusas e interessam apenas ao círculo presente no papo. Acostumamos com isso, ou … desacostumamos do hábito brasileiro.

Agora de volta ao Brasil achei interessante estimular uma reflexão sobre nosso comportamento em grupo, tanto em encontros de negócios e no nosso ambiente de trabalho, como na vida pessoal.

O que falamos?! O que propagamos?! Estamos passando adiante assuntos que não são de nossa alçada?! Somos reféns de nosso volume acústico?! Nossos planos de ação, confidências e opiniões importantes são passadas adiante sem prudência?!

Dizem que os peixes morrem pela boca e essa é uma metáfora que vale a pena ser lembrada tanto no mundo dos negócios quanto nas nossas relações interpessoais.

Os poetas sempre valorizam o silêncio de alguma maneira. O silêncio é o contraponto da palavra. A palavra pertence a um tempo específico, o silêncio à eternidade.

Mais vale atentar para nossas palavras proferidas do que perder-se num aqui e agora de falatórios que podem ser prejudiciais.

Hoje o mundo está tão conectado e globalizado que nossas redes de conhecidos crescem em progressão geométrica. Não dá mais para saber e garantir quem conhece quem, quem está conectado com quem. Como a notícia corre na velocidade da luz, uma informação que vaza no almoço, já virou em outras vizinhanças assunto do cafezinho da tarde. Recentemente, em um café da manhã de um hotel em Minas observei uma dupla que conversava na mesa ao lado, eles discutiam sobre o comportamento de uma colega de trabalho. Todas as mesas vizinhas podiam ouvir as ferozes críticas em alto e bom tom. Fiquei pensando, quem garante que alguém ao redor não conheça a personagem das críticas?! No mais, a imagem que ambos deixaram foi super ruim.

Existem milhões de assuntos interessantes para explorar sobre cultura, economia, viagens, artes, curiosidades, enfim, assuntos que são mais apropriados para algumas situações do nosso cotidiano.

Confie primeiro, saiba com quem você está falando, não se exponha à toa e principalmente cuidado com passar adiante algo que não é da sua conta. Você nunca vai saber quem são seus vizinhos: de casa, de baia, da mesa e até da praia e qual é a rede de relacionamentos com quem cada um deles se conecta. Com certeza você mesmo vai agradecer no futuro pelo silêncio praticado na hora certa. Um tesouro que ninguém nos tira.

Já dizia a poetisa Emily Dickinson (1830-1886)

 “A palavra é um sintoma do afeto. O silêncio é  a comunicação mais perfeita que ninguém pode ouvir.”

Por Luah Galvão

Idealizadores do projeto Walk and Talk | A volta ao mundo em busca de Motivação, os especialistas no assunto Luah Galvão, atriz e apresentadora e Danilo Espanã, fotógrafo, viajaram por mais de 2 anos – visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que motiva as pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema Motivação e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas nessa e em outras áreas de estudo. (www.walkandtalk.com.br)

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