Sempre a criação foi tida como o resultado uno de uma grande mente; o filho pródigo de um grande autor, mestre ou artista.

Dizem que o termo “criar”, muitas vezes ligado às capacidades extraordinárias, pode revelar uma ligação entre o autor e o Divino, tamanha perfeição de algumas obras. Quem nunca ouviu que Michelangelo, por exemplo, fosse um intérprete dos traços do Onipotente, tamanha perfeição de seu legado.

Nascemos e crescemos com esse mito da criação latente dentro de nós e desde então, temos um temor estridente quando no papel de criadores, percebemos nossa obra copiada ou recriada. Lógico. Todo criador por essência tem um ciúme quase avassalador de sua divina-cria.

No competitivo mundo em que vivemos sempre nos foi dito para mantermos nossos projetos guardados a sete chaves, nos disseram para compartilhar nossa criação apenas quando “parida”. Compramos essa ideia e nos mantivemos fiéis aos ensinamentos. Muitas vezes sim, nós criamos, outras mantemos nossos sonhos num cativeiro mental. O medo nos aliena e sozinhos acabamos não sendo capazes de concretizar o que nossa cabeça um dia pensou.

Fico entusiasmada em voltar ao Brasil depois de 2 anos estudando motivação pelo mundo e perceber que um novo  movimento colaborativo tem dado asas para os sonhos aprisionados de muita gente, colorindo ideias que não saíam de esboços ou do papel. Tenho visto uma saudabilíssima revolução quebrando paradigmas nas relações interpessoais e na maneira de conduzir projetos e negócios. O homem moderno percebeu finalmente a força do coletivo, da soma de esforços e expertises.

A nova matemática das relações e das mentes brilhantes tem feito barulho. Os espaços de co-criação pipocam nas grandes cidades mostrando uma tendência que parece que veio para ficar. SOMAR é a ordem do momento e com esse novo impulso, os criativos ganham base e terreno para desenvolverem seus projetos. A co-criação é um processo colaborativo que permite que pessoas e grupos com interesses afins se juntem para impulsionar projetos que certamente levariam muito mais tempo para ganhar vida ou iriam até parar na “prateleira”. A ideia é juntar esforços, habilidades e criatividade para gerar resultados práticos.

Esses dias participei de um processo para co-criar um projeto interessante de educação que será implementado no Brasil por um austríaco. Como estrangeiro muita informação e expertise no nosso mercado faltavam para que seu projeto pudesse ganhar estrada. Foi então que buscou o Semente Una, um dos espaços bacanas de co-criação em São Paulo, e um grupo foi montado para auxiliá-lo. Depois de algumas horas de insights e atividades, o projeto ganhou forma e diretrizes para que pudesse ser implementado. Muitos dos conceitos iniciais ganharam nova abordagem e ideias vieram à tona. Resultado: sucesso total para a empreitada que além de agregar conhecimento, agregou uma enorme rede de colaboradores.

Cridores estão percebendo que compartilhar projetos entre grupos com expertise move muito mais a criação do que se ela fosse guardada por toda sua gestação. O novo movimento aponta para uma fase menos egóica, onde o coletivo ganha força para empreender e o criador os méritos por emplacar sua obra.

Não somos polivalentes e, portanto, a co-criação veio para brindar uma nova etapa de união entre ideais e ações. Ter a mente aberta e o desapego à sua cria são traços das cabeças de vanguarda. Mais uma coisa interessante é a gratidão que começa a ser praticada em nova escala e compreensão. Normalmente são esses mesmos autores os mais gratos pela co-participação de outras cabeças. Tenho ouvido e percebido nas relações mais obrigados e gestos de gratidão.

Os tempos do uno e único representando o “só”-zinho e a solidão estão sendo transformados no uno que abarca o todo; a unidade que compreende toda a matéria: humana ou de criação. E assim vamos voltando à essência …

 

Por Luah Galvão

 

Idealizadores do projeto Walk and Talk | A volta ao mundo em busca de Motivação, os especialistas no assunto Luah Galvão, atriz e apresentadora e Danilo España, fotógrafo, viajaram por mais de 2 anos – visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema Motivação e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas nessa e em outras áreas de estudo. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br

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