É tarde, é tarde, é tarde… muito tarde! Passa o coelho alertando os novos tempos. Tempo não há, fez-se a escassez. O relógio voa contra o homem, que voa contra ele mesmo. Foi-se o tempo em que o ser humano era criado para ser uma obra de arte. Seu interior deveria assemelhar-se a mais perfeita obra, tamanha sua capacidade de desenvolver virtudes. O que ditava a conduta humana era a busca pelo caminho do nobre, justo e belo.

Naquela época, aristocrata era aquele que exercia suas ações com excelência, era o mestre; exímio naquilo que fazia. Aristocrata vem de Aristos, que em grego arcaico significa “buscar a excelência”. No país sem tempo, aristocrata virou o que acumula riquezas, não importa de que maneira. Alice se assusta.

No país que corre com o relógio, o dito vira pelo não dito. A palavra palavreada não tem valor, é da boca pra fora. Foi banalizada e esquecida. Fala-se pela falácia, não pela verdade. Alice desconhece. Nessa correria, onde tudo sempre é tarde e o agora é sempre o nunca, as pessoas se esquecem de seus talentos. Segui-los é custoso demais, desenvolvê-los demora demais e reconhecê-los pode desviar do suposto caminho.

Alice vem de um país onde as pessoas vivem suas paixões e, portanto, fazem aquilo que gostam, desafiam suas habilidades e têm no exercício de seus dons sua estrada das pedras amarelas. Oz é um lugar alcançável por qualquer Alice, coelho, leão ou espantalho. No país da correria, Alice percebe que as coisas são feitas apenas para durar no agora. O “jeitinho” é a maneira de fazer até o que é sério e necessário. Remendam-se vias, desvios, navios e fios.

Nesse tempo do não tempo, a ética está quase morta. A moral, conjunto de costumes, passou por cima da ética e de seus valores eternos – pilares da vida e da alma humana. Mas é a ética que une, integra, refaz e baseia e no país sem tempo está desnorteada. Alice chora.

Rainhas e reis de copas, aqueles com coração estampando no peito foram substituídos pelos reis de ouros, pois é o dinheiro que manda naqueles que mandam. Foi-se o tempo em que a origem da palavra política se fazia valer e dizia respeito à ciência que se preocupa com a felicidade dos Homens da polis, ou de qualquer meio social. Assim políticos, líderes ou chefes de Estado eram aqueles capazes de exercer em lato sensu essa nobre função. Mas os reis ouros desvirtuaram o caminho ético.

Se há esperança? É tarde, é tarde, é tarde, muito tarde… Alice teme o tempo que não volta. E, em vez de esperar o inesperável na Terra sem tempo, volta ao seu País das Maravilhas, onde a Ética reina em primeira instância. Alice fica feliz!

Tomei a liberdade de apropriar-me de símbolos, signos e personagens universais para contextualizar nosso momento atual e convidar para uma reflexão sobre os comportamentos da nossa “Terra sem Tempo”.

Por Luah Galvão

 Idealizadores do projeto Walk and Talk – A volta ao mundo em busca da motivação, os especialistas no assunto Luah Galvão, atriz e apresentadora e Danilo España, fotógrafo, viajaram por mais de 2 anos – visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema Motivação e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos  para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br 

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