J. Craig Venter provocou muita agitação em 1998, quando ele e sua empresa, Celera, desafiaram o Projeto do Genoma Humano na corrida ao sequenciamento de DNA. (Dois anos depois ela acabou empatada.) Despedido da Celera em 2002, o biólogo dirige atualmente um instituto sem fins lucrativos e duas empresas de biotecnologia: Human Longevity e Synthetic Genomics. Entrevista por Alison Beard

 

HBR: Você tende a estabelecer metas audaciosas e depois atingi-las. Por que essa abordagem é eficiente?

Venter: As metas são consideradas audaciosas apenas pelos outros. Com o Projeto do Genoma Humano, foi só porque ele tinha sido criado como um programa de 15 anos, orçado em US$ 5 bilhões e parecia inconcebível que um pequeno grupo o executasse em menos tempo e por uma fração do custo. Para mim ele parecia razoável: eu dispunha de uma equipe extraordinária que poderia fazê-lo. Um dos meus primeiros professores descreveu meu método como se eu estivesse saltando de um trampolim muito alto numa piscina vazia, e esperando que minha equipe a enchesse antes que eu atingisse o fundo.

Como você seleciona seus cientistas e executivos?  Procuramos pessoas criativas, flexíveis e automotivadas. Pessoas se inserem em minhas organizações porque gostam de grandes desafios e sabem que sua contribuição pode fazer a diferença.

Que tipo de chefe é você? Sem muita intervenção. Eu estabeleço metas e a agenda, mas em termos de execução, decidimos como uma equipe, ou as pessoas encarregadas dos programas dão as ordens. Não sou conhecido como uma pessoa paciente, mas talvez eu tenha me controlado um pouco com o passar do tempo — apenas por perceber que as coisas demoram muito mais tempo do que eu gostaria.

Você enfrentou críticas e reveses na sua carreira. Como você os superou? Você precisa acreditar no que faz e nos seus próprios métodos. O tempo que passei no Vietnã me ensinou muito. Como paramédico, eu tratei de milhares de homens que não voltaram, por isso aprendi que a pior coisa que você pode perder é a vida e que correr riscos e sofrer derrotas faz parte, se você quiser seguir em frente. Ter uma visão de longo prazo também ajuda. Em nosso caminho para a primeira célula sintética, passamos muito tempo resolvendo problemas. Mas eu tinha certeza de que eles eram solúveis.

As pessoas o acusam de “comercializar” a ciência. Estamos num período sombrio de financiamentos e as políticas estão limitando a criatividade. Por isso precisamos de negócios para fazer a ciência progredir, e as pessoas pensam que não há diferenças nas metas ou resultados, porque para a ciência impactar a sociedade ela precisa tornar-se economicamente viável. Quando o governo nos desaponta, somente investimentos privados poderão garantir que o progresso continue.

Você pratica esportes arriscados: vela, motociclismo, corrida de carros. Por quê? Atividades que exigem grande concentração o forçam a clarear a mente e afastar-se dos problemas diários. E essa é para mim uma parte importante do processo criativo.  

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