Neste blog, quero explorar o fato de que todos os seres humanos somos conectados e que as redes sociais têm mais influência sobre os seus membros do que muitas vezes imaginamos. Hoje com o crescimento das mídias sociais, as conexões e as influências ficam mais óbvias, mas de fato elas sempre existiram… Nicholas A. Christakis e James H. Fowler, professores de Harvard e da Universidade da California em San Diego, publicaram em 2009 o livro Connected, o Poder das Conexões, onde refletem sobre o poder das redes sociais e como elas dão forma a nossas vidas.

Segundo os autores, uma rede social é formada por todas as conexões e ligações num conjunto de indivíduos, este conjunto definido por um atributo comum. Por exemplo: os alunos conectados de uma universidade específica, ou as pessoas que pegaram e passaram gripe para seus conhecidos. E podemos estudar cientificamente estas redes sociais. Quero apresentar aqui os resultados de três estudos e refletir com vocês sobre suas conclusões:

1.      O primeiro é um experimento de Stanley Milgram, conduzido nos anos 60, que mostrou que as pessoas estão conectadas por, em média, seis graus de separação. Vários cidadãos que viviam em Nebraska foram instruídos a enviar uma carta para um empresário de Boston, através de alguma pessoa que eles conheciam pessoalmente. O objetivo era medir o número de etapas necessárias para que a carta chegasse ao homem de negócios. Em média, foram necessárias seis etapas. O estudo foi replicado pelo sociologista Duncan Watts e dois colegas em 2002, usando o e-mail em escala global, e apresentou os mesmos resultados – os mesmos seis graus de separação! Ou seja, estamos comprovadamente todos conectados…

2.      Um segundo experimento de Stanley Milgram conduzido em 1968 investigou a importância do reforço de múltiplas pessoas sobre o comportamento: ele observou 1.242 pedestres que caminhavam por uma calçada e sua reação quando encontravam atores olhando fixamente para cima, na direção de uma janela do outro lado da rua;  os pedestres foram filmados para registrar se paravam e se olhavam para cima também. Quando havia apenas 1 ator parado, 4% dos pedestres pararam e 42% olharam para cima; quando havia 15 atores, 40% pararam e 86% olharam para cima. Outro achado interessante foi que, com apenas cinco atores, os resultados foram praticamente os mesmos do que com 15! Ou seja, nosso comportamento é afetado pelo comportamento social…

3.      Por fim, os próprios Christakis e Fowler descobriram que a influência numa rede social segue a regra dos 3 graus: isto significa que “tudo o que fazemos ou dizemos se espalha por nossa rede, tendo um impacto em nossos amigos (1 grau), nos amigos de nossos amigos (2 graus) e até nos amigos dos amigos de nossos amigos (3 graus)”. Além dos 3 graus, a influência deixa de ter um efeito significativo. Da mesma forma, somos influenciados pelos amigos nestes mesmos 3 graus.

Outro exemplo da mesma regra: uma análise matemática de redes sugere que uma pessoa tem 15% mais chance de ser feliz se ela estiver diretamente conectada a uma pessoa feliz. O efeito felicidade a 2 graus de separação (um amigo de um amigo) é de 10% e a 3 graus, 6%.

 

Assim, os estudos de Christakis e Fowler indicaram que uma grande variedade de elementos flui através de redes sociais: desde vírus da gripe até comportamentos e normas, desde emoções como felicidade ou tristeza até estilo de vida resultando em magreza ou obesidade (ou seja, se na sua rede, houver muitas pessoas obesas, isto aumenta a sua probabilidade de ser obeso!). E mais, as redes têm uma vida própria, como mostram os movimentos culturais e sociais que temos observado no mundo: podemos ver comportamentos compartilhados sem uma coordenação específica.

Algumas reflexões: Somos todos conectados e temos grande capacidade de influenciar e sermos influenciados pelas pessoas que fazem parte da nossa rede social. Por um lado, temos uma maior responsabilidade, pois com nossos comportamentos e atitudes estamos influenciando (mesmo que não intencionalmente) as pessoas com quem convivemos e várias pessoas com quem não convivemos (até 3 graus de distância). Se agirmos com inconsciência, com violência, com más intenções, é isto que estamos espalhando pelo mundo. Se agirmos com consciência, com generosidade, com cuidado, estamos ajudando a gerar um mundo cada vez melhor. Por outro lado, as pessoas da nossa rede nos influenciam mais do que temos consciência e afetam nossa capacidade de livre arbítrio – o que nos traz outra responsabilidade, a de fazer cada vez melhores escolhas com relação a que grupos queremos frequentar. Para líderes organizacionais, a compreensão destes conceitos serve como base para um entendimento de como é criada a cultura da organização e quais podem ser alavancas para sua mudança, se necessário.

 

Influenciamos e somos influenciados – ao mesmo tempo – numa grande dança evolutiva do viver. A máxima “Um por todos e todos por um” é mais real do que podíamos imaginar!!

 

Mauricio Goldstein é sócio-fundador da Pulsus Consulting Group, mestre em Engenharia de Produção, com especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Columbia University

 

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