Desde que o mundo é mundo o homem sempre se interessou em desvendar os mistérios do tempo. Entender a dinâmica de cada dia e como ao passar, o tempo impacta nossas vidas, foi objeto de estudo de filósofos, cientistas, poetas, sociólogos, artistas e de todas as grandes civilizações humanas. Foi incessante o exercício em busca de uma explicação para o fenômeno natural da travessia do dia e da noite.

O mundo grego muitos e muitos séculos atrás dividiu sabiamente o tempo em duas divindades:

-Kronos – Deus implacável e violento, senhor do tempo mensurável, linear e objetivo. Aquele que trata do tempo que passa urgente e nos engole como reféns.

-Kairós – Deus do tempo virtuoso, do momento certo, oportuno e significativo. Aquele que trata do tempo que alimenta a alma e do momento presente vivido em abundância e esplendor.

Já os romanos atribuíram o nome de Janus ao Deus do tempo. Sua representação era marcada por duas faces: uma virada para o passado e outra para o futuro.  Para eles Janus simbolizava tudo o que se inciava e finalizava. Inclusive, o mês de janeiro, o primeiro de cada ano, deriva do nome do Deus Janus.

No século XIX o romancista francês Marcel Proust pontua sabiamente: “Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem.”

Mais adiante Albert Einstein despertou a humanidade para sua excepcional teoria da relatividade e afirma: “A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.”

Em nossa volta ao mundo (www.walkandtalk.com.br) aprendemos na Guatemala que para os Maias “tempo é arte” – um tempo que promove a criatividade, excelência, liberdade e imaginação. Em cada passo da história humana uma definição, uma afirmação, um novo sentido para essa relação temporal que nos acompanha diariamente.

As definições são inúmeras, mas na prática, o que fazemos com o nosso tão precioso tempo de cada dia?! Conseguimos utilizá-lo em nosso favor?! Nosso tempo está mais para Kronos ou mais para Kairós?! Em geral transitamos entorpecidos entre o passado que já volta mais e o futuro que ainda não despertou. Vivemos no campo daquilo que já fizemos e do que ainda temos a fazer, nos esquecendo do precioso aqui e agora – único tempo factível para ancorar as nossas ações, mesmo aquelas que tem como meta alavancar o futuro. O filósofo indiano Osho, afirma que passado e futuro não existem. Diz que o único “tempo” realmentente existente é o presente. Até por isso o nome “presente” como sinônimo da dádiva recebida ao nos conectarmos com o aqui e agora.

Mesmo com essa importância atribuida ao presente, muitos de nós passamos a vida empurrando sonhos e projetos com a barriga. Ficamos à espera de condições de temperatura e pressão ideais para darmos o primeiro grande passo em busca daquilo que realmente acreditamos. Se aplicarmos a visão de Osho à esse empurra-empurra, sempre que adiamos os primeiros passos, empurramos nossos empreendimentos profissionais ou pessoais para o nada – para o vazio, afinal, “o futuro não existe”. Triste pensar assim mas na visão do mestre oriental e de muitos outros, é isso que de fato acontece. E como acontece…

A sensação de fracasso que sentimos ao lembrar dos projetos que queríamos plantar e não plantamos, das mudanças que queríamos fazer e não fizemos, dos sonhos que queríamos viver e não vivemos é avassaladora, ainda mais quando o “tempo” já se faz tarde para tal.

Mas então, como aproveitar esse trânsito mental tão comum entre passado e futuro com o intuito de ajudar nossas jornadas?! A viagem ao nosso passado pode ser muito útil quando, por exemplo, estamos em crise com nossos talentos e habilidades, ou em momentos onde queremos virar a mesa. Voltar no tempo em busca de nossas bases e raízes, de nossas habilidades manifestadas na infância, até daquilo que queríamos “ser quando crescer”, pode nos revelar inúmeras pistas de quem realmente somos e o que gostamos de fazer. Nossa infância é um terreno fértil onde o pleno potencial se mostra, sem as máscaras ou disfarces que muitas vezes colocamos ao longo da vida, seja por pressão social, familiar ou profissional.

Já uma viagem ao futuro nos mostra o poder de nossos sonhos. Nos revela um campo imenso de possibilidades, projetos e vontades à serem desbravados nos inundando de possibilidades. Mas esse enorme holograma sonhado só consegue embarcar em uma realidade quando ancorado no presente; no aqui e agora, através de ações práticas que possam desenhar uma trajetória palpável rumo ao futuro. Sonhos se ancoram no presente. Projetos se ancoram no presente. Mudanças se ancoram no presente. É no presente que temos a força de ação. O futuro pode ser gerador de uma grande força motriz se soubermos aproveitar suas dicas.

Em recente pesquisa que fizemos sobre o que motiva os brasileiros descobrimos o quanto, independente de faixa etária ou classe social, somos impulsionados pelos sonhos. Talvez sejamos um dos povos mais sonhadores do mundo. Na pergunta sobre “fontes de motivação”, 30% das respostas apontam o sonho como fator motivacional. Falta saber agora a porcentagem daqueles que conseguem transformar seu holograma em realidade.

 

 

O presente é o tempo para planejar, buscar parcerias e sociedades, analisar o mercado, buscar investidores, contratar gente, traçar metas, é o tempo do FAZER e do AGIR. Só colocando a mão na massa é que nosso futuro refletirá o que um dia sonhamos no passado. Vale a pena também visitar o futuro e em pensamento imaginar como gostaria que seus projetos ou sonhos estivessem manifestados anos adiante. Isso ajuda a ampliar o escopo e alargar as possibilidades.

Viajar “De Volta para o Futuro” diz respeito a estar de volta aos sonhos e projetos um dia visitados pela imaginação, mas dessa vez de verdade, com todas as glórias e méritos daqueles que deram os primeiros passos e rumaram em busca da realização e concretização do que um dia habitou o imaginário. O concreto nem sempre sai tal e qual os contornos do que foi um dia sonhado, por vezes se revela mais modesto, por outras o exacerba infinitas vezes. O que vale é estar de volta ao futuro e poder afirmar: fui, fiz, tentei, errei, me aventurei, aprendi ou venci. Qualquer dessas afirmativas é infinitamente melhor do que empurrar sempre a vida para o amanhã. O  amanhã é tão impalpável que de fato não sabemos o que será dele quando vier nos brindar em forma de presente.

 

Por Luah Galvão.

 

 – Idealizadores do projeto Walk and Talk, a atriz e
ap
resentadora Luah Galvão e fotógrafo Danilo España, viajaram por mais de 2 anos e visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema “motivação” e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos  para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br

 

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