O preconceito de gênero ainda é realidade no cotidiano das mulheres, apesar de não parecer tão explicitamente como antes. É o que mostra pesquisas recentes feitas pela Pew Research Center:  mais da metade dos homens acredita que o sexismo é coisa do passado, enquanto apenas um terço das mulheres respondentes concordam com esta afirmação. Isso porque a discriminação assume, hoje, um caráter não-obvio, disfarçado de benevolência e paternalismo. Esse tipo de comportamento extremamente destrutivo é, principalmente no local de trabalho, expresso de duas maneiras.

A primeira é a postura que alguns gestores tomam de não dar a suas colaboradoras a chance de realizar trabalhos com nível de dificuldade elevado. Em estudos feitos em indústrias de energia e equipamentos médicos, a maioria das mulheres recebia menos trabalhos desafiadores do que os homens, mesmo quando ambos haviam expressado vontade de trabalhar em projetos desse tipo. As análises feitas mostram que os gestores muitas vezes apresentavam uma postura que acreditavam ser “gentil” ao poupá-las dessa espécie de tarefa. Mas o que parece gentileza na superfície, acaba por impedir o desenvolvimento delas dentro da empresa.

A segunda forma de preconceito velado ocorre quando líderes evitam oferecer crítica construtiva a mulheres de forma objetiva e, em vez disso, oferecem ajuda excessiva quando não são solicitados. Apesar de bem-intencionado, esse tipo de gesto é problemático e geralmente mina a auto estima daquele a quem é direcionado. Em um outro experimento realizado na George Mason University, na Virginia, alguns atores disfarçados de colaboradores disseram a alguns de seus colegas não graduados coisas como: “Deixe-me ajudá-lo/la com isso, sei como esse tipo de tarefa pode ser difícil para meninos/meninas como você.” Os participantes de ambos os sexos que foram tratados dessa maneira relataram ter se sentido pior consigo mesmos do que aqueles que não receberam o mesmo trato. Esse tipo de atitude paternalista prejudica porque encara o outro como dependente, principalmente ao utilizar um discurso didático que não respeita a autonomia e independência da outra pessoa. As mulheres são alvo desse comportamento muito mais do que homens e, consequentemente, acabam sofrendo mais as  consequências negativas.

Para solucionar esse tipo de problema, basta que o gestor pergunte-se se o tipo de apoio que quer oferecer à sua colaboradora é o mesmo tipo de ajuda que ofereceria a um homem. Pergunte-se a razão de ter pensado em ajudá-la e se isso é realmente necessário. Se irá dar autonomia a ela ou não. Por exemplo, em vez de assumir que ela iria gostar de tirar uma licença maternidade mais longa, pergunte se é realmente o que ela quer.

Devemos todos prestar atenção na diferença entre respeito e educação – algo que todos queremos receber – e atitudes paternalistas, não solicitadas, que apenas rebaixam o outro a uma posição de dependência, algo que nenhuma mulher precisa ou deseja.

Adaptado de “Stop ‘Protecting’ Women from Chalenging Work”, por Kristen Jones e Eden King


Essas e outras questões serão abordadas no segundo Fórum Women in Leadership, realizado pela Harvard Business Review Brasil. Para conhecer mais e se inscrever, acesse: http://foruns.hbrbr.com.br/women-in-leadership-summit/

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