As ofertas públicas iniciais de ações (IPO) são uma rota de saída cara para muitos proprietários de empresas. Os subscritores nos Estados Unidos geralmente cobram de 5% a 7% dos retornos. Determinar um valor muito baixo para as ações requer outros 10% a 15%, em média. Custos totais que chegam a US$ 100 milhões não são incomuns para as grandes aberturas de capital. Não é de surpreender que muitos empresários busquem outras opções, especialmente uma fusão ou aquisição.

Nos últimos anos, no entanto, alguns empresários americanos se voltaram para “acordos de impostos recebíveis” — TRA, pela sigla em inglês — para reduzir os seus custos de saída. Nos termos de um TRA, quem vende as ações pode receber pagamentos durante até 15 anos depois de uma abertura de capital e nossa pesquisa mostra que eles somam três vezes o custo da oferta inicial de ações, em média. O TRA se tornou uma ferramenta preferida dos principais bancos de investimento e um método padrão pelo qual as firmas de private equity levam empresas de seus portfólios à bolsa. Na verdade, 2013 está no caminho de ser um ano recorde para tais ofertas. Contudo, os TRAs ainda são pouco compreendidos e podem ser utilizados com grande vantagem em um número muito maior de aberturas de capital.

Um TRA normalmente funciona assim: antes da abertura de capital, o vendedor dá alguns passos para garantir que a empresa poderá desfrutar de uma base de cálculo de impostos mais elevada após a emissão de ações sem criar um custo fiscal novo que anule a vantagem para o vendedor. Isso pode reduzir drasticamente o imposto de renda pago pela companhia sobre os lucros depois da abertura de capital. O vendedor recebe uma grande parte do valor dessas economias fiscais futuras, geralmente a ser pago em 15 anos. A subutilização dos TRAs não reflete apenas uma falta de familiaridade com esses acordos. Ela é resultado de preocupações — em primeiro lugar, de que eles não foram testados e, em segundo, que os investidores na abertura de capital possam sentir que os vendedores estão sendo injustamente beneficiados a sua custa. Ambas as preocupações são equivocadas. Os TRAs foram bem testados em mercados de ofertas iniciais de ações, incluindo aberturas de capital importantes. E eles têm uma marca que tem caracterizado as fusões e aquisições há anos, que a entrega de benefícios fiscais para os compradores resulta em um valor mais elevado para os vendedores. O uso crescente dos TRAs é exatamente o que a teoria das finanças nos levaria a esperar.

A crise financeira global provocou o quase desaparecimento do mercado de aberturas de capital nos EUA, mas esse mercado está voltando à vida. E, enquanto isso acontece, potenciais vendedores devem considerar os TRAs como uma maneira de tornar os IPOs uma alternativa viável às fusões e aquisições.

 

Howard Jones é pesquisador sênior e Rüdiger Stucke é pesquisador da Faculdade de Administração Said Universidade de Oxford.

Share with your friends









Submit