Jack Welch e a liderança servidora

*Por Renato Grinberg

Em sua longeva e bem sucedida gestão como CEO da General Electric, de 1981 a 2001, Jack Welch tornou famosa uma estratégia de gestão de pessoas conhecida como “ranqueamento forçado”. Basicamente os funcionários da empresa eram avaliados por sua performance e eram classificados em três grupos:

 

  • – Grupo A que representava 20% dos funcionários que apresentavam a melhor performance.
  • – Grupo B que representava 70% dos funcionários que apresentavam performance  média.
  • – Grupo C que representava 10% dos funcionários que apresentavam a pior performance.

A partir dessa classificação os funcionários que estavam no grupo A recebiam os maiores incentivos financeiros e os do grupo C eram na maioria das vezes desligados da empresa.

Simplificando, todo ano Jack Welch demitia 10% dos funcionários da GE.  O objetivo do ranqueamento forçado era tornar a empresa mais competitiva.

Muitos atribuem esse modelo de gestão como sendo um dos fatores que tornou a GE tão competitiva por tantos anos. Outros criticam veemente Jack Welch dizendo que isso era um desrespeito aos funcionários e que o modelo não levava em questão diversos fatores como a real possibilidade de se classificar os funcionários dessa maneira e também o fato de que alguém que estivesse passando por algum problema poderia temporariamente apresentar desempenho aquém do desejável e isso não refletia o verdadeiro potencial desse funcionário.

Jack Welch, como sempre muito eloquente, defendia o desligamento dos funcionários com baixa performance dizendo que mantê-los na empresa não era bom nem para a GE e nem para eles mesmos. Sua visão era que ao serem desligados, esses funcionários acabavam encontrando trabalhos em empresas que estariam mais adequadas ao seu perfil e, portanto teriam mais oportunidades de sucesso em suas carreiras.

O objetivo desse artigo não é defender nem atacar esse modelo de gestão, mas sim atentar para uma controvérsia ainda maior: Será que esse modelo de gestão estaria alinhado com o conceito de “liderança servidora”? Já ouvi muita gente dizer que um verdadeiro “líder servidor” jamais faria o que Jack Welch fazia. Essas pessoas argumentam que o líder servidor sempre coloca os funcionários acima de qualquer coisa.

Mas será mesmo que Jack Welch não estava sendo um líder servidor? Ao tornar a GE uma empresa extremamente competitiva nos setores que atuava e, portanto financeiramente sólida, ele estava servindo a milhares de funcionários que teriam seus trabalhos mantidos justamente porque a empresa gerava bons resultados. Além disso, ele estava servindo aos acionistas da empresa (milhares, no caso da GE) que confiaram a ele a liderança da empresa.

Ser um líder servidor não quer dizer ser um líder “bonzinho” ou mesmo um herói. Em poucas palavras, a característica mais marcante do líder servidor é jamais colocar os seus interesses acima dos interesses daqueles que são liderados por ele e daqueles que lhe confiaram à responsabilidade do cargo. Por essa definição, Jack Welch, ao que tudo indica, foi sim um líder servidor.

 

*Renato Grinberg é especialista em liderança, desenvolvimento profissional, gestão de empresas e autor do best-seller de carreira/negócios “A estratégia do olho de tigre”. É formado em música pela FAAM, tem pós-graduação em Marketing pela University of California Los Angeles (UCLA), MBA pela University of Southern California (USC) e cursou Melhores Práticas em Liderança na Harvard Business School. Atualmente é presidente da Trabalhando.com Brasil, professor de liderança na HSM Educação e colunista do site da Harvard Business Review Brasil.

 

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