O ponto de partida de uma trajetória profissional de sucesso é assumir a responsabilidade do seu desenvolvimento e da sua evolução como profissional, ou seja, se tornar um líder de si mesmo. Para lhe ajudar nesse processo, uma boa estratégia é elaborar um plano de carreira objetivo e realista. Traçar metas, perceber qualidades pessoais e defeitos, além de trabalhar com a hipótese de mudanças, são algumas das primeiras questões a se pensar. Os planos de carreira, ao contrário do que se acredita, não devem ser elaborados apenas pelos iniciantes no mercado, mas por qualquer profissional que deseja aprimorar-se para atingir níveis de excelência cada vez mais altos.

A volta aos primeiros projetos pode lhe ajudar a entender melhor seu processo decisório, além disso, é um modo de avaliar o seu desempenho para então decidir o que fazer para continuar em uma trajetória ascendente. Erros cometidos no passado são excelentes “professores”. O fundamental é aproveitar essas situações para se conhecer melhor e assim sendo se tornar um líder de si mesmo mais efetivo. Conhecer-se aqui não significa apenas reconhecer o que faz bem, suas qualidades, mas, principalmente, suas limitações. Dessa forma, avalie seus valores, defeitos, conhecimentos, interesses, características profissionais e quando você somar/subtrair tudo isso, poderá criar uma “equação” para potencializar quem você realmente é.

Talvez o mais famoso método de análise de uma empresa ou de um produto em relação ao mercado seja a análise SWOT, sigla em inglês para Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats (Fortalezas, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças). Embora tenha sido concebida originalmente para analisar produtos e marcas, a análise SWOT também pode ser aplicada para um exercício de autoconhecimento. A parte superior da SWOT representa o que está em seu controle (Fortalezas e Fraquezas) e a parte inferior (Oportunidades e Ameaças) representa dinâmicas de mercado que estão fora do seu controle. A partir de uma análise SWOT é possível desenhar estratégias para potencializar suas fortalezas e minimizar ou desenvolver suas fraquezas. No meu livro A estratégia do olho de tigre (editora Gente) uso um exemplo de SWOT de um tigre para demonstrar como esse felino está no topo da cadeia alimentar e faço uma analogia com o nosso mundo corporativo.

 

Nesse exercício, note que uma mesma característica — o tamanho — foi considerada tanto fortaleza quanto fraqueza. Isso acontece porque, dependendo do contexto, essa característica poderá ajudar ou atrapalhar. Para defender o território, é bom que o tigre exiba seus 200 quilos distribuídos em 2,5 metros, pois a simples visão de um tigre desestimula qualquer invasor. Contudo, na hora de se esconder para o ataque, seja contra um invasor, seja para abater uma presa, o tamanho é uma desvantagem, pois dificulta a dissimulação de sua presença, ou seja, o fator-surpresa.

Trazendo esse exercício para o nosso contexto corporativo, uma pessoa que tem como fortaleza algo como organização, talvez não tenha condições de maximizar essa fortaleza se estiver em um ambiente em que o caos é o “modus operandi”. Nesse caso, ela deverá ou mudar de ambiente ou buscar outra de suas fortalezas que se adeque melhor àquele ambiente. No caso de fatores negativos, como impaciência e ansiedade, é preciso entender porque eles estão presentes e procurar redirecionar esses impulsos. O desenvolvimento pleno somente será possível para aqueles que souberem criar estratégias efetivas para lidar tanto com os seus pontos fortes quanto com os pontos fracos. Perceba que não estou necessariamente advogando desenvolver pontos fracos, pois isso nem sempre é a melhor estratégia. Porém se decidir não desenvolver um ponto fraco, essa decisão deve fazer parte de uma clara estratégia de posicionamento. Desenhe seu plano de carreira de forma com que ele possa proporcionar a você satisfação, ascensão profissional e financeira, mas principalmente que seja flexível. Esteja certo de que você viverá diversas mudanças de paradigma no decorrer de sua carreira, portanto celebre e aproveite essas mudanças para se destacar, ao invés de tentar resistir a elas. Seus acertos e sucessos o tornarão confiante e lhe farão parecer inteligente, mas lembre-se que aprender com os seus erros e fracassos o tornará realmente sábio e este é o caminho mais rápido para se tornar um líder efetivo de si mesmo.

 

*Renato Grinberg é Diretor Sênior da BTS, consultoria líder mundial em programas de Leadership Development  – Strategy  Alignment/Business Acumen e Sales Transformation (www.bts.com), além de professor do programa de MBA da HSM Educação e colunista do site da Harvard Business Review Brasil. Trabalhou em grandes multinacionais nos EUA como a Sony Pictures e Warner Bros., e também foi presidente da Trabajando.com no Brasil. É autor dos best-sellers de carreira e negócios “A estratégia do olho de tigre” e “O instinto do sucesso” (editora Gente).  Renato Grinberg é requisitado por empresas em todo o país para proferir palestras visando ao aprimoramento profissional de sua audiência. Saiba mais sobre o autor em www.renatogrinberg.com.br

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