É comum ouvirmos na mídia – e os números realmente comprovam – que as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço no mundo corporativo e principalmente assumindo mais funções de liderança. Muito se discute sobre as diferenças entre os estilos de gestão de homens e mulheres e, apesar de existirem diversos estereótipos vazios, algo aceito pelas diversas correntes de pensamento é que as mulheres possuem uma capacidade mais desenvolvida do que os homens de “ler“ as emoções e motivações de funcionários, colegas ou gestores. Ou seja, essa habilidade de “ler“ as emoções pode ser traduzida em maior empatia que, em poucas palavras, é a capacidade de conseguir se colocar no lugar da outra pessoa.

Os neurocientistas acreditam que nossa capacidade de empatia está ligada aos chamados “neurônios-espelho“. Esses neurônios, como o próprio nome sugere, explicam por que salivamos quando vemos outras pessoas comendo algo que nos apetece ou franzimos a testa em expressão de dor quando vemos alguém se retorcendo de dor. Pesquisas, ainda que em estágios iniciais, vêm demonstrando que as mulheres possuem mais neurônios-espelho do que os homens. Indo além, estudos conduzidos por Peg Nopoulos e Jessica Wood, da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, mostraram que uma subdivisão do córtex pré-frontal ventral (uma área desenvolvida na cognição social e no julgamento interpessoal) é proporcionalmente maior nas mulheres que nos homens.

Ser empático é uma das características mais importantes para interagir positivamente com as pessoas e principalmente para se tornar um líder efetivo. Paradoxalmente, pessoas com alto grau de inteligência racional e que se destacam logo cedo em sua carreira, os high potentials, muitas vezes acabam tendo problemas ao assumir cargos de liderança, justamente porque não conseguem demonstrar empatia. Esses profissionais além de não conseguir entender por que outras pessoas têm dificuldade em acompanhar a sua velocidade de raciocínio, são também incapazes de se colocar no lugar das outras pessoas, o que os torna membros de equipe difíceis de lidar e líderes ineficazes.

Portanto, saber se colocar no lugar da outra pessoa é uma característica fundamental para se tornar um líder efetivo. As mulheres podem ter mais facilidade para fazer isso, mas acredito que isso deve ser uma busca constante para o desenvolvimento de qualquer líder, independentemente de ser homem ou mulher. Isso é simplesmente liderança!

(extraído do livro O instinto do sucesso)

 

*Renato Grinberg trabalhou em grandes multinacionais nos EUA como a Sony Pictures e Warner Bros., e também foi presidente da Trabajando.com no Brasil. Atualmente, é Diretor Sênior da BTS, consultoria líder mundial em programas de Leadership Development  – Strategy  Alignment/Business Acumen e Sales Transformation, além de professor do programa de MBA da HSM Educação e colunista do site da Harvard Business Review Brasil. É autor dos best-sellers de carreira e negócios “A estratégia do olho de tigre” e “O instinto do sucesso” (editora Gente).  Renato Grinberg é requisitado por empresas em todo o país para proferir palestras visando ao aprimoramento profissional de sua audiência. Saiba mais sobre o autor em www.renatogrinberg.com.br  www.facebook.com/regrinberg

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