Com o dólar alto e a economia instável, muitos se questionam se vale a pena largar tudo e “interromper” a carreira para embarcar na experiência de morar fora e se engajar em um MBA de ponta no exterior. Há uma pressão enorme para se diferenciar no mercado brasileiro – competitivo e implacável –, mas o custo de um programa top e as horas investidas para construir um application de sucesso desanimam muita gente. Com várias opções de qualidade no país e a possibilidade de estudar part-time, no período noturno e fins de semana, quais os potenciais benefícios de um MBA lá fora? Vale a pena arriscar, renunciar a um emprego relativamente estável e seguro, bagunçar a rotina familiar para sair da zona de conforto e aumentar a bagagem pessoal e profissional?

 

Sugerimos analisar a questão sob duas lentes: ganhos e perdas tangíveis e intangíveis.

 

Computando os números

 

Uma análise dos dados encontrados no último ranking do Financial Times e nos Career Reports das escolas revela que, financeiramente, cursar um MBA top faz sentido. Os números, em princípio, são de fato assustadores. O custo da tuition de um programa top passa de 100 mil dólares por 2 anos de curso, além dos gastos de manutenção e viagens (veja aqui os custos de Harvard, por exemplo) – o valor total da experiência pode chegar a 200 mil dólares. Porém, esses números não devem desanimar candidatos fortes, já que uma vez aceito(a), as escolas top oferecerão um pacote financeiro que visa atender as necessidades individuais de cada aluno. Bom, mas olhando sobre a perspectiva de regresso de todo esse capital, notamos que o tempo médio de retorno do investimento total (payback period, no termo em inglês) nas 30 melhores escolas do mundo não passa de 4 anos (Figura 1). Cabe observar que o aumento salarial dos alunos formados há 3 anos nessas 30 escolas foi de 100%, o que justifica o rápido retorno no investimento.

 

 

Fazendo uma análise mais completa, projetando e calculando o impacto do MBA nos salários acumulados ao longo de uma carreira de 30 anos, os alunos das 10 melhores escolas do mundo saem com um saldo positivo de mais de 3 milhões de dólares em valores atuais (quando comparados aos salários acumulados caso não tivessem cursado o MBA) (Figura 2). Em ambos os casos, a classificação das escolas neste ranking demonstra estar diretamente relacionada ao retorno financeiro de seus ex-alunos, ou alumni: quanto mais bemrankeada, melhor o retorno no investimento. No entanto, é importante destacar que não são apenas HarvardStanfordWharton, Columbia e London Business School que pesam no currículo. Claramente, através da interpretação destes dados, observamos que mesmo os programas no fim da lista (91-100) trazem um impacto financeiro tangível e positivo, além de outros benefícios intangíveis, incalculáveis porém de valor inquestionável, os quais discutiremos em breve.

 

Mas como bancar o custo de um MBA top no exterior? Sim, é caro. E sim, após o aceite, ninguém deixa de cursar o programa por causa de dinheiro. A maioria das escolas facilita o processo de loans (empréstimos) para alunos internacionais, que podem ser quitados ao longo de vários anos e a juros baixos (em torno de 6,5%/ano). Ainda, boa parte das escolas oferecem bolsas de estudos robustas, que não precisam ser quitadas no futuro. Algumas são oferecidas com base em mérito; outras, nas necessidades financeiras do aluno. Harvard, por exemplo, chega a abater 80% do custo de tuition em casos onde o aluno vem de origem humilde e não conseguiu acumular dinheiro em sua carreira pré-MBA. Instituições como a Fundação Estudar, a Fundação Lemann e o Instituto Ling oferecem bolsas de estudo para alunos já aprovados em cursos de primeira linha no exterior que demonstrem potencial de liderança e um comprometimento informal em tornar o Brasil um país mais justo e acessível. Sem contar na possibilidade de sua própria empresa financiar o seu programa – nesse caso, é comum você ter que se comprometer a permanecer na firma por até dois anos após a graduação.

 

O outro lado da moeda

 

São inúmeros os ganhos intangíveis, tanto do lado profissional quanto do pessoal. A vivência no exterior proporciona experiências únicas e desafiadoras, não só pelo fato de o curso ser ministrado em inglês, mas também pelo rigor da grade curricular e extracurricular. Além de professores exigentes e de um modelo de ensino ativo, fundamentado em discussões – muitas vezes polêmicas e profundas – em sala de aula através dos case studies, os seus colegas são de alto calibre e agregam valor com visões divergentes e experiências diversas. Não se engane: a seleção dos programas top é extremamente restrita e competitiva. O Admissions Committee genuinamente acredita que a melhor forma de enriquecer a experiência é construir uma turma de backgrounds profissionais, histórias de vida, países e culturas diversas para que todos aprendam a pensar de maneira diferente e a considerar pontos de vista anteriormente ignorados ou imprevistos. Por isso, o processo de application é tão intenso, revelador e sim, demanda tempo e dedicação. É necessário que você reflita profundamente sobre os seus valores, motivações intrínsecas, personalidade e como experiências pessoais e profissionais contribuíram para a formação de quem você é hoje. Como já escrevemos antes, é importante despertar o filósofo em você. Não é incomum você ter de responder a questões como: “Que valor você trará para a nossa comunidade?”, “Como os seus colegas se surpreenderiam positivamente ao saber sobre você?”, “O que mais importa para você, e por quê?”, ou “Qual foi a ação mais corajosa que você já tomou no trabalho?” no application e/ou na entrevista. Respostas competitivas são originais, demonstram reflexão, autoconhecimento e ecoam a pessoa por trás dos resultados descritos no currículo e nas cartas de recomendação. Em geral, os programas também têm esse caráter de autodesenvolvimento – afinal, o objetivo é formar líderes globais holísticos, éticos e autênticos, que saibam respeitar as diferenças e estimular o inovador. Por isso, muitas atividades extracurriculares visam tirar os estudantes da zona de conforto para que a experiência seja completa – veja o exemplo das Leadership Ventures de Wharton (University of Pennsylvania) e o Field Immersion Experiences for Leadership Development (FIELD) da Harvard Business School. Portanto, o tempo destinado aosapplications e os anos intensivos de estudo lá fora não são de maneira alguma desperdiçados; além do crescimento profissional, potencializado pelo fato de posteriormente pertencer ao alumni network de uma escola top (que abre oportunidades profissionais que de outra maneira seriam inacessíveis), a experiência é intimamente transformadora.

 

Mas, e a família? Como manejar um gap no histórico profissional da(o) esposa(o)? Como as crianças se adaptariam a um inverno rigoroso e a colegas estrangeiros? Apesar de não ser uma decisão fácil, certamente existem alternativas para a continuação ou reinvenção da carreira do(a) parceiro(a). As escolas estão cientes disso e promovem o encontro de partners através de clubes e atividades familiares. É claro que exige esforço e uma mente aberta a possibilidades diferentes – mas a oportunidade de seu filho aprender inglês e ter uma experiência genuína em outro país pode ser gratificante no futuro dele.

 

Finalmente, é importante destacar que a decisão de cursar um MBA no exterior deve estar fundamentada em argumentos racionais – carreira e finanças, por exemplo – e emocionais – a sede de crescer e superar a si mesmo, curiosidade e a busca pelo novo, e o desejo de refletir sobre a vida num ambiente que favorece a introspecção e o questionamento profundo sobre seus valores e sua missão no mundo. O processo – antes, durante e depois – é trabalhoso e exige energia, foco e resiliência. Apenas os que estiverem intimamente comprometidos em dar esse grande passo em suas vidas o farão com autenticidade, criatividade e leveza, lucrando de forma tangível e intangível em todas as etapas do processo.  
 

Alex Anton é MBA pela Harvard Business School e usou o curso como uma plataforma para mudar de carreira e de vida. Através dos 500 case studies que leu e discutiu em sala de aula, entendeu melhor como o mundo funciona e aprendeu a potencializar seus pontos fortes. Já morou e trabalhou no Canadá, Alemanha, Suíça, Indonésia, Estados Unidos e China. É co-fundador da TopMBA Coaching – www.topmba.com.br – e entusiasta da meditação, fotografia e corrida.
 

Daiana Stolf é cientista por formação e escritora e coach por paixão. A graduação na Universidade Federal de Santa Catarina foi só o primeiro passo. De mestre pela Universidade de Toronto (Canadá) a aluna de Gestão Estratégica na Universidade de Harvard (EUA), passando por cientista-doutoranda da EPFL (Suíça), em 2011 descobriu o prazer de guiar brasileiros curiosos e determinados a expandirem seus horizontes através de cursos de pós-graduação nas melhores universidades do mundo. Ela é co-fundadora da TopMBA Coaching.

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