As escolas de negócios ao longo da história rapidamente evoluíram de uma arcaica administração empírica, baseadas em ideias preconcebidas e aprendizagem por ensaio e erro, para uma administração científica, que deve se sustentar no método científico, buscando aprimorar o comportamento organizacional, deslocando o foco do ensino considerado tradicional para uma pedagogia centrada no aluno e na reflexão crítica de casos reais. O estudo de casos da escola de direito da Universidade de Harvard (EUA) e a aprendizagem baseada em problemas da escola médica da Universidade McMaster (Canadá) romperam corajosamente com os modelos de ensino–aprendizagem clássicos, tornando-se ícones de uma educação vitoriosa e de vanguarda.

 

Na era da informação, velocidade nem sempre equivale à capacidade de análise crítica e de resolução eficaz de problemas pouco estruturados ou à tomada de decisões. Se no passado, o aluno era avaliado principalmente pelo acúmulo e aprendizagem de conteúdos estanques e independentes, o presente demanda visão sistêmica, transdisciplinaridade e competências múltiplas, lembrando-nos de referenciais como Leonardo Da Vinci ou Steve Jobs.

 

Quando nos anos entre 1990-1999 foi declarada a “Década do Cérebro” pelo governo norte-americano, investimentos e o fomento das pesquisas sobre cérebro deram um importante impulso ao desenvolvimento das neurociências. Os resultados foram aplicados aos campos da medicina, farmacologia, bioética e humanidades. Passamos a encontrar desdobramentos desses achados, que incluíam o cérebro em seus campos de estudo, tais como o chamado neuromanagement.

 

Apesar do crescimento considerável de estudos sobre o cérebro e o comportamento, nas escolas de negócios brasileiras, o cérebro ainda é um ilustre desconhecido. Os principais livros-texto de comportamento organizacional e de psicologia aplicada à administração, ainda não trataram de incluir o cérebro como fonte de estudo dos futuros gestores. Tomada de decisões, motivação, emoção, percepção, personalidade, comunicação interpessoal, trabalho em equipe ainda são estudados sem base no cérebro. Por exemplo, a hierarquia de necessidades de Maslow é ainda para muitos estudantes a melhor teoria para a compreensão da motivação humana ou mesmo ignorando as descobertas do Nobel de Economia, Daniel Kahneman, que colocam em xeque a supremacia do pensamento racional nos processos de tomada de decisões.

 

O Neuromanagement aplica as neurociências cognitivas ao comportamento organizacional, ao invés de enfatizar uma educação tradicional baseada no armazenamento de informações na memória de longo prazo. Focalizaremos cada vez mais em uma aprendizagem centrada no aluno, capaz de desenvolver as “funções executivas” tais como: flexibilidade cognitiva, pensamento crítico e planejamento.

 

O desafio atual é tornar o cérebro do executivo o protagonista de seu próprio desenvolvimento. Professores exercerão cada vez mais o papel de “coach” e as aulas serão baseadas em resolução eficaz de problemas. Administrar cérebros se tornará a busca pelo equilíbrio entre a razão e a emoção.

 

Armando Ribeiro das Neves Neto

Professor de Psicologia Aplicada à Administração do Instituto de Ensino e Pesquisa Insper

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