David Silverman é autor do Caso HBR deste mês e do livro Typo: The Last American Typesetter or How I Made and Lost 4 Million Dollars. Abaixo, Silverman conta qual foi o destino da Clarinda. 

O que aconteceu com a Clarinda Company na vida real?
Contei tudo aos clientes  —  que tínhamos feito demissões, que meu sócio, Dan, tinha problemas com a bebida e também fora desligado, que tínhamos uma dívida enorme, que estávamos expandindo as operações em Manila para reduzir custos e preços.

A princípio, os clientes— como a Jackie Dee, de uma grande cliente nossa, a TPC — foram solidários. Clarence “Red” Bones, nosso contato na Pearson Publishing (nossa maior cliente) tentou me ajudar a vender a Clarinda à Bookers. A IPC (outra grande cliente) aplaudiu a iniciativa de consolidar as operações no exterior. 

Mas, depois de um mês de negociações “em boa fé” e da promessa de uma carta de intenção de compra, a Bookers decidiu que não compraria a Clarinda. A empresa tinha dívidas de sobra de aquisições anteriores e concluiu que seria mais barato roubar nossos clientes do que adquirir a empresa. 

Logo em seguida, Red mudou de idéia e encerrou o contrato conosco. Foi até nossas instalações em St. Paul e disse ao pessoal que a Clarinda estava a ponto de quebrar e que ele ajudaria quem quisesse migrar para outro bureau que prestava serviços à Pearson Publishing — e que estava para abrir uma filial na cidade. 

Fui aos outros diretores de produção da Pearson implorar por ajuda, mas todos decidiram que, politicamente, era mais sensato ficar do lado de Red e abandonar a Clarinda. Perdi, portanto, mais uns milhões em receita — e tive de demitir outros 40 funcionários. 

Jackie Dee se irritou quando pedi que se comprometesse a nos enviar trabalho e, na surdina, começou a dividir o material entre a Clarinda e outro bureau. Um belo dia, simplesmente nos tirou da equação. No dia seguinte, fui obrigado a fechar as instalações em Atlantic, no Iowa. 

Não tinha, com a IPC, uma relação tão próxima quanto à que tivera com as outras grandes clientes, de modo que eles não sabiam de nada do que estava acontecendo. E resolvi que, talvez, fosse melhor assim. Quando percebi que a Clarinda chegara ao fim, não disse nada à IPC. O que fiz foi dar o grande desconto que eles vinham pedindo. 

A IPC e um punhado de outros clientes acabaram ficando conosco até o final. Exigi que pagassem tudo o que nos deviam antes de liberar o restante do material — livros e revistas — que havíamos produzido. Com isso, pude quitar boa parte da dívida da Clarinda antes de fechar de vez as portas.

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