Há poucas semanas, um amigo participou de um evento no Texas chamado CEO Summit, uma das atividades do Conscious Capitalism, Inc.  O Conscious Capitalism, Inc é uma iniciativa americana capitaneada por presidentes de empresas como Whole Foods, Southwest Airlines, Starbucks, The Container Store, e por acadêmicos como Raj Sisodia, para suportar o capitalismo consciente, uma filosofia baseada na crença de que uma forma mais complexa de capitalismo está emergindo, com o potencial de melhorar o desempenho corporativo e, ao mesmo tempo, continuar a melhorar a qualidade de vida de bilhões de pessoas.

Este movimento, como vários outros no mundo, está emergindo em resposta a uma observação de que, como sociedade, não estamos alcançando os objetivos coletivos que aspiramos: estamos esgotando os recursos naturais existentes em nosso planeta, há grande desigualdade socioeconômica e a pobreza extrema ainda existe para bilhões de pessoas e muitos de nós, apesar de riqueza material, sentimos um vazio na vida e no trabalho, uma infelicidade, uma separação de nosso ser mais profundo.

Em minha perspectiva, parte disto se deve à forma como estamos vivendo o trabalho: empreendimentos predatórios e exploratórios, ganha-perde, foco único e absoluto nos resultados financeiros de uma organização, inclusão apenas do intelecto das pessoas em seu trabalho, deixando de lado corpo, emoções e espírito, pessoas que são vistas como “Recursos Humanos”, partes de uma grande engrenagem. Este paradigma tem um efeito maléfico no mundo interconectado no qual vivemos, como podemos ver na charge abaixo.

 

Acredito que a consciência nas organizações vem como uma alternativa a este paradigma. Passamos a nos ver como parte de um todo, onde ganhamos ou perdemos juntos. Isto implica em repensar os modelos de empreendimento que estamos criando, suas cadeias de valor e a maneira como estamos nos organizando, de forma a gerar valor para todo o ecossistema no qual a organização está inserida. Valor aqui tem um significado mais amplo do que apenas o resultado financeiro, e inclui outros fatores como bem-estar psicológico, educação, etc. O FIB – Felicidade Interna Bruta – medidor que nasceu no Butão, aparece como uma alternativa para medir este valor de forma expandida. Uma organização consciente também favorece o desenvolvimento sustentável integral (corpo, emoção, mente e espírito) de todas as pessoas que fazem parte de seu ecossistema.

Mas como começamos? Revisitando o nosso próprio modelo mental, as imagens que temos sobre como tudo funciona. A visão tradicional é baseada numa fragmentação entre negócio, sociedade e planeta (ou meio-ambiente). As empresas, agora pressionadas pela opinião pública, estão buscando mostrar para a sociedade a intersecção que existe entre o seu negócio e a sociedade e o planeta. Como podemos ver à esquerda no slide abaixo (apresentando no CEO Summit que mencionei), esta intersecção é pequena e há um grande trabalho de Relações Públicas para colocá-la em evidência.

A visão consciente oferece uma perspectiva integrada onde o negócio faz parte da sociedade, que faz parte do planeta. Sob este paradigma, todas as ações dos negócios devem suportar o desenvolvimento da sociedade e do planeta.

A mesma mudança tem espaço em nossa vida pessoal. Quantos de nós não vemos o trabalho e nossa vida profissional como totalmente separados de nossa vida pessoal? Quantos já não ouvimos de amigos (ou pior, de nós mesmos) que “aguentamos” o trabalho que temos apenas pela necessidade de dinheiro ou para poder ter prazer depois, quando nos aposentarmos? Afinal, qual é o papel e o objetivo do trabalho em nossas vidas? O que precisamos para começar a pensar o trabalho como parte integrante de um todo, um local onde podemos dar vazão a nosso potencial como seres humanos com talento que somos, onde buscamos nossa felicidade? Como repensamos os locais de trabalho para abarcar esta possibilidade?

A ideia aqui é apenas trazer uma reflexão provocativa: como podemos juntos repensar o nosso fazer e criar um trabalho e um planeta muito mais saudáveis e felizes para todos nós? E qual pode ser o seu papel nisto?

Mauricio Goldstein é sócio-fundador da Pulsus Consulting Group, mestre em Engenharia de Produção, com especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Columbia University.

 

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