Nascidas entre 1980 e 1995, as mulheres da geração Y, ou geração Milênio, têm levado novas demandas ao mundo empresarial. Criadas num mundo constantemente conectado às tecnologias e cada vez mais globalizado, elas promovem mudanças de comportamento e novas expectativas em termos de carreira e mercado de trabalho. Para atrair e reter esses talentos, empresas no mundo todo têm percebido a necessidade de rever aspectos culturais e empreender mudanças na sociedade no que diz respeito a postura e benefícios.

O número de mulheres da geração Milênio que entram no mercado de trabalho está em constante elevação. Essas jovens já atingem escolaridade superior à de seus colegas homens e, cada vez mais, estudam e se capacitam a fim de galgar espaços em todas as camadas organizacionais.

Com 50% de profissionais mulheres e 80% de profissionais da geração Milênio, a PwC promoveu, em parceria com o Instituto Optimum Research, uma pesquisa intitulada “The female millennial — A new era of talent”.

Anualmente, a PwC contrata cerca de 20 mil profissionais dessa geração, metade composta de mulheres, razão pela qual é estratégico e prioritário entender melhor como atrair, engajar, desenvolver e reter esses talentos femininos.

A pesquisa global atingiu mais de 10 mil pessoas em 75 países, todas com idade entre 20 e 35 anos. Em torno de 86% eram mulheres, e o Brasil foi o terceiro país com maior número de respondentes, apresentando um padrão de respostas bastante similar ao padrão de respostas global.

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A pesquisa aponta que as mulheres da geração do Milênio configuram uma nova era do talento nas organizações: elas têm alta escolaridade, confiança, ambição e objetivos claros em relação à carreira.

A confiança é algo bastante característico dessa geração e demonstra empoderamento. As mulheres do milênio no Brasil (76%), Índia (76%) e Portugal (68%) são as mais confiantes em relação à carreira, enquanto suas congêneres no Japão (11%) e Alemanha (19%) são as menos confiantes.

Oportunidades de progresso na carreira foram classificadas por 53% das mulheres respondentes como a característica mais atraente em relação à empresa. E a falta de oportunidades de aprendizagem e progressão na carreira foi apontada como a principal razão para deixarem o emprego, o que desmente a opção de se dedicar à família como o principal motivo de demissão.
O estudo revela, contudo, que 71% das mulheres entrevistadas não sentem que as oportunidades são realmente iguais para todos.

Com uma visão muito clara da importância de uma experiência internacional, 71% das mulheres da geração Milênio gostariam de trabalhar fora de seu país de origem. O interesse das mulheres nunca foi tão alto: 69% buscam essa experiência e 63% sentem que essa é uma questão crítica para o desenvolvimento de sua carreira. Ao longo da última década, dobrou o número de mulheres que vivem fora de seu país de origem, mas mesmo assim elas constituem apenas 20% dos expatriados.Portanto, oferecer a possibilidade de trabalhar em outros países às mulheres é um diferencial competitivo para os empregadores.

Os resultados da pesquisa levaram a mais uma descoberta sobre as mulheres da geração Milênio: elas verbalizam claramente que querem um trabalho que tenha propósito, querem contribuir de alguma maneira para com o mundo e querem ter orgulho de seu empregador; por isso, ambos os gêneros demonstram não ter interesse em alguns setores da economia, por conta da imagem — principalmente serviços financeiros e óleo e gás.

Embora as mulheres constituam hoje 60% dos empregados em serviços financeiros e 19% dos senior managers, 22% das mulheres da geração Milênio dizem não ter interesse nesse segmento.
O setor de óleo e gás é predominantemente masculino, da universidade (só 27% dos alunos de ciências, tecnologia, engenharia e matemática são mulheres nos países do G20) à empresa — as empresas, por sinal, terão de valorizar as mulheres se quiserem atraí-las.

A reputação é outro ponto que influencia suas decisões. As empresas devem se comunicar melhor e ser mais transparentes para atrair os talentos da geração do milênio, pois 57% das entrevistadas revelaram que evitariam trabalhar em determinados setores, como serviços financeiros e área de óleo e gás, por acreditarem que eles projetam uma imagem negativa.
Outro aspecto que a pesquisa revelou é que as mulheres da geração Milênio têm preferência por receber pessoalmente feedbacks de alta qualidade, em tempo real e com foco no futuro, em vez de retornos por meios digitais.

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Por fim, a pesquisa revelou, contudo, que não há diferenças entre as mulheres e os homens da geração Milênio quanto ao equilíbrio entre o aspecto profissional e o aspecto pessoal: no total, 97% responderam que querem uma vida equilibrada.

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A possibilidade de uma agenda de trabalho flexível foi o terceiro item mais valorizado pelas respondentes da pesquisa. Essa abertura traz para as empresas uma mudança na forma de medição trabalho: os resultados produzidos são mais importantes do que o número de horas trabalhadas. Além disso, a liberdade/flexibilidade de seus profissionais é fator motivador e, consequentemente, gerador de bons resultados. Acima da flexibilidade, os itens mais valorizados por esses jovens, segundo a pesquisa, são as oportunidades de ascensão profissional e os salários competitivos. Há quase três anos, a PwC Brazil introduziu o programa FlexMenu. A iniciativa veio para atender à demanda crescente dos funcionários, principalmente os da geração Milênio, por equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (ver quadro “FlexMenu: trata-se de trabalhar de forma diferente”).

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Ainda que o caminho para a igualdade de gêneros seja longo e de muita mudança cultural, as mulheres da geração Milênio não encontram mais o mesmo ambiente profissional do qual fizeram parte suas mães e avós. Mais bem qualificadas, mais confiantes e ambiciosas, elas fortalecem a demanda por novas estratégias de mercado e mudanças culturais em ambientes já considerados engessados. Para manter a competitividade num mercado de constantes e rápidas mudanças, a adaptação das empresas acaba por ser inevitável.

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