Com o nervosismo quanto a perspectivas sobre o crescimento econômico lá nas alturas, dois e-books recém- lançados mostram qual o centro do debate hoje: saber se os Estados Unidos podem, por pura força da criatividade, seguir produzindo ganhos de produtividade que resultem em renda maior. Tyler Cowen, da George Mason University, é pessimista. A seu ver, há no momento uma “grande estagnação”. Um argumento contrário vem de Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, do MIT, que descobriram na robótica — tecnologia que avança depressa — e em outros potenciadores da produtividade uma série de razões para o otimismo. Essas conclusões opostas sugerem, de novo, por que economistas, no agregado, não são grande coisa na hora de prever o futuro.

Só vamos saber quem tinha razão quando os números de produtividade americana finalmente chegarem. Até lá, há um indicador que podemos ir conferir para saber se estamos no caminho certo ou rumando para um problema: o número de empresas criadas no país.

Esse é um número que sabemos como mover. O segredo é entender que inovação não é só invenção. É, mais ainda, questão de comercialização. E as tecnologias verdadeiramente disruptivas que mais melhoraram o padrão de vida no longo prazo foram, em geral, comercializadas por empreendedores, não por empresas estabelecidas. É só pensar no telégrafo, no telefone, no automóvel, no avião, no computador (mainframe, micro, mini), na maioria do software, em motores de busca na internet, no ar-condicionado — inovações que definem a modernidade. E que chegaram ao mercado pelas mãos de empreendedores.

Verdade seja dita, a maioria das start-ups não vai longe, e uma ínfima parcela cresce e acaba tendo o impacto de uma Ford, GM, IBM, Microsoft, Intel, Apple, Google. Mas o número de start-ups criadas pode, pelo menos, nos dizer qual a probabilidade de que empresas como essas sejam criadas. Em tudo o mais permanecendo o mesmo, quanto mais negócios novos são criados, mais “chutes a gol” uma economia tem para produzir grandes resultados.

Infelizmente, a coisa não parece boa nos EUA no momento. Nos 12 anos que antecederam a recessão, foram criadas todo ano algo entre 500 mil e 600 mil novas empresas, aparentemente sem que o ciclo econômico interferisse. A recessão induzida pela crise de 2008–2009 mudou o panorama. Em 2009 (o ano mais recente para o qual temos dados confiáveis​​) foram abertas apenas 400 mil empresas.

Essa estatística deprimente sem dúvida ajudou a mobilizar o apoio bipartidário que vimos ainda neste ano pela lei JOBS (Jumpstart Our Business Startups Act) — lei concebida para promover novos e crescentes negócios, especialmente empresas interessadas em se tornarem públicas, ao reduzir seu custo de capital.

Mas é preciso uma legislação mais abrangente, que vá além da necessidade de capital de empreendedores e busque, também, facilitar seu acesso a talentos e oportunidades. Precisamos de uma reforma da imigração para atrair e reter imigrantes altamente qualificados, sobretudo gente interessada em abrir imediatamente um negócio. Precisamos promover uma reforma de práticas de licenciamento de tecnologia em universidades de pesquisa fortemente custeadas pelo governo federal. Precisamos de uma reforma regulatória para modernizar, modificar ou eliminar normas atuais, excessivamente onerosas, e exigir uma justificativa em termos de custo-benefício para novas regras.

Propostas para isso tudo já foram apresentadas ao Senado americano. Dada a iminente eleição para a presidência nos EUA, seria uma (agradável) surpresa se o Congresso seriamente pusesse alguma delas em discussão neste ano, ainda que tenham amplo e crescente apoio. Já em 2013, a legislação de start-ups deve virar uma prioridade para o Congresso.

Podemos divergir nos detalhes, mas só faremos progresso se chegarmos, já de início, a um acordo sobre o que promove o crescimento econômico e o que deve ser incentivado: start-ups. 

 

Robert E. Litan é vice-presidente de pesquisa e políticas da Kauffman Foundation, nos EUA.

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