Começo com esta pergunta mais filosófica, pois é raro pararmos para pensar o quanto precisamos no hoje e no futuro. Quais são as nossas necessidades e o quão longe iremos nas nossas escolhas para suprir o que definimos como essencial para nossa vida? Ao mesmo tempo que temos necessidades, temos desejos, o que é legítimo, afinal isso nos move para alcançar nossos objetivos.

Na jornada de 27 anos assessorando executivos, posso dizer que ouvi e vi de quase tudo no que se refere às escolhas e suas consequências. Construir uma história profissional de sucesso implica fazer sacrifícios, abrir mão de algumas coisas para conquistar outras. Como aceitar uma temporada fora do País sem que isso traga um impacto na vida pessoal e familiar? Como comprometer parte do orçamento em um MBA ou especialização, sem abrir mão de outro investimento? Com a atual realidade econômica, aceitar um emprego fora do eixo Rio-São Paulo será talvez a única chance de um profissional voltar ao mercado e, logicamente, isso significa redesenhar a vida e a de seus familiares. O mundo corporativo é muito dinâmico e atraente, mas pode trazer junto também muita pressão, cobranças exageradas, assédio moral, estresse, burn out, depressão, divórcio, filhos desajustados e doenças físicas e emocionais.

Quando paramos para refletir sobre as escolhas e seus desdobramentos, precisamos também considerar aquelas que passam pelo campo da ética e dos valores. Antes de envolver-se com certas práticas e ao entrar em uma organização de cultura muito distinta do que acreditamos, é preciso se perguntar: “O que combina com os meus valores pessoais?” “Que riscos estou disposto a assumir?”

Existem custos escondidos ao traçarmos a carreira e que está totalmente associado às nossas escolhas. Em primeiro lugar, nossa história de vida e consolidação dos valores serão fundamentais para lidar com situações ambíguas envolvendo algumas decisões.  Dependendo dos caminhos, nos colocamos na condição de sermos ou não livres.  A partir de uma escolha podemos nos tornar devedores, prisioneiros com a venda da nossa liberdade. Se existe dúvida, a reflexão é simples: o que diriam nossos filhos, cônjuge, pais e amigos?

E se o caso for deixar os outros decidirem por nós, obedecendo cegamente, seguindo ordens e abdicando do nosso livre arbítrio, mas ao mesmo tempo esperando recompensas de qualquer tipo? Estou falando da nossa alma, da nossa liberdade como seres humanos. Liberdade não significa fazer somente aquilo e quando se quer, mas sermos independentes nas decisões que colocam nossa integridade ética à prova.

Para cada escolha, existe uma perda. Mas antes de cada uma delas, há uma ação. É fundamental refletir sobre o que queremos realmente para nossas vidas, se queremos ou não sermos livres.  Alguns caminhos, ainda que nos atrasem em alguns anos uma promoção ou o ingresso em uma organização, podem até ser realinhados em determinados momentos. Mas não é tudo que se recupera. Qualidade de vida e o tempo com familiares já são mais complicados de se reverter, portanto, é importante saber dosar. Escolhas mal feitas no campo dos valores e da ética, por exemplo, são irreversíveis para a carreira. Cabe a cada um traçar seu caminho, sentir-se em paz com as escolhas que fez e ser livre.

(*) Karin Parodi é CEO da Career Center.

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