Filosofia vem do grego antigo philosophia, o que literalmente significa “paixão pelo saber”. De forma mais aplicável, no entanto, filosofar significa questionar e estudar assuntos existenciais do dia a dia, buscando entender o por quê de nossas crenças, medos, preconceitos, valores e ações. Um detalhe importante é que a filosofia busca responder essas questões através de uma perspectiva lógica, racional, removendo as camadas emocionais que normalmente obstruem nossa visão e assim chegando o mais próximo possível da verdade. Não significa, de forma alguma, ignorar as emoções, mas sim identificá-las e reconhecer seus papéis na nossa interpretação do mundo.

É através da filosofia, da análise racional dos nossos por quês, que identificamos nossos pontos fortes e fracos, traçando estratégias criativas e não convencionais para aprender, empreender e crescer mais. Aprendizado e crescimento pessoal, por sua vez, são pilares críticos para uma vida interessante e feliz, o que tem tudo a ver com o que o mundo precisa: indivíduos e líderes apaixonados pela busca da verdade e sedentos por aprender e fazer mais; gente, em primeiro lugar, honesta consigo mesma, capaz de analisar e interpretar o mundo de forma sensível e pragmática; líderes que valorizam o saber e que trabalham duro para que seus times aprendam e cresçam cada vez mais, gerando valor econômico tangível e valor social (e pessoal) intangível (é difícil medir felicidade). É exatamente por isso que na TopMBA Coaching aconselhamos candidatos a programas de MBA nas melhores escolas de negócio do mundo a se entregarem à filosofia. 

Essas grandes escolas, como Harvard e Stanford, buscam candidatos com alta capacidade analítica (demonstrada através do histórico escolar e do GMAT, o teste de lógica que todo candidato deve fazer), sólida experiência de liderança (demonstrada através do currículo profissional, cartas de recomendação e sua própria história) e diversas habilidades comportamentais como criatividade e empatia, identificadas através de cartas de recomendação, histórias pessoais e entrevista. No entanto, o número de candidatos que batalham por uma vaga é dramaticamente maior do que o número de assentos que elas comportam, por isso a importância de contar histórias (através dos essays) de forma reflexiva, profunda e criativa.

As partes mais qualitativas do application são os essays e a entrevista (que normalmente acontece após a primeira etapa do processo seletivo, com a minoria dos candidatos recebendo o convite para entrevistar). Nos essays, as escolas buscam conhecer a pessoa por trás dos prêmios, das promoções de cargo, das experiências internacionais e entender o porquê de suas motivações e aspirações. Tendo passado pelo processo como candidato e como coach inúmeras vezes, afirmo que responder perguntas como “o que importa para você e por quê?” não é nada fácil, e as melhores respostas envolvem desconforto e muito tempo de reflexão (recomendamos no mínimo 3 meses).

Os essays que mais me impressionam são aqueles que mergulham profundamente na razão por trás de suas ações e forma de pensar, demonstrando autoconhecimento, resiliência, foco, vulnerabilidade e uma motivação imensa para deixar o mundo melhor. Eles são sempre específicos em seus objetivos e suas histórias do passado são indicativas de que aquele candidato é o ideal para agir naquela causa que tornará o mundo melhor. O papel do MBA e da escola como facilitadores da execução de sua visão de futuro também é demonstrado de forma coerente, clara e precisa.

Não há fórmula mágica e certeira para um application de sucesso, mas sim um processo filosófico de reflexão e resgate de quem realmente é o candidato e o que ele busca com o MBA. Um fator de sucesso que observo em clientes, colegas da própria Harvard, e amigos é a busca por experiências de aprendizado não convencionais. Não basta simplesmente ir para a melhor universidade, tirar as melhores notas, entrar na melhor empresa e ser promovido ao melhor cargo. Isso é importante, mas as escolas de negócio estão cientes de que o mundo precisa de líderes criativos, que busquem soluções novas para problemas novos, e essa sede por aprender através de canais alternativos é indicativa de uma forma inovadora de raciocinar, de agir e de solucionar problemas. Em paralelo a atividades principais como universidade ou emprego no mundo corporativo, essas pessoas demonstram aprender, e empreender, através de atividades extracurriculares como envolvimento com esportes, escolas, ONGs, startups, viagens e soluções únicas para suas necessidades de aprendizado e crescimento.

Vale destacar que uma vez aceito numa dessas escolas, os programas de MBA de Harvard e Stanford, por exemplo, oferecem cursos inteiros dedicados à arte de filosofar com o intuito de desenvolver o seu estilo de liderança mais autêntico possível. Harvard oferece a disciplina eletiva Authentic Leadership Development, a qual envolve encontros semanais em grupos de 6 pessoas além da sala de aula. Como ex-aluno desse curso afirmo que a experiência me ajudou a navegar incertezas pessoais e profissionais e certamente me deixou uma pessoa mais forte e ciente dos meus pontos fortes e fracos. Com uma visão mais clara do que faço bem me sinto mais confortável a arriscar e a experimentar possibilidades profissionais e pessoais inusitadas, como o que venho fazendo há 7 meses. O futuro continua incerto, mas essa incerteza é o que me motiva já que sei que sou 100% responsável por ele, e esse empoderamento me deixa feliz.   

Finalmente, a filosofia oferece a possibilidade de questionamento, invenção e reinvenção a todos nós, candidatos a MBA ou não. Ela oferece um mecanismo estruturado e racional para uma vida mais rica e interessante, exatamente como propomos no transforME, nosso canal de ideias e ações para uma vida melhor.

 Fica a frase de um dos meus filósofos favoritos, o francês Henri Bergson: “o filósofo é antes de mais nada alguém sempre pronto para voltar a ser um estudante, não importando sua idade. Nós nascemos para aprender, como toda criança sabe mas a maioria dos adultos esquece”.

 

Alex Anton é MBA pela Harvard Business School e tem no seu currículo empresas como Nestlé e McKinsey & Company. Já morou e trabalhou no Canadá, Alemanha, Suíça, Indonésia, Estados Unidos e China. Além disso, é fundador da TopMBA Coaching – www.topmba.com.br – e entusiasta da meditação, fotografia e corrida. Suas ideias podem ser conferidas no blog transforME – www.transforme.is.  

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