A vida realmente nos reserva maravilhosas surpresas, basta saber aproveitá-las … com peito e ouvidos abertos é mais fácil receber os ensinamentos diários que nos são proporcionados por nossas próprias experiências ou por vivências alheias.

Durante o nosso projeto, enquanto estávamos nos EUA, um amigo americano nos convidou para a reunião de um grupo que acabara de voltar da Índia. Topamos o convite. Na casa de uma simpática professora de Yoga de origem cubana, o eclético grupo estava fervilhando com a experiência que tinham acabado de viver e se preparavam para uma próxima aventura no Peru. Em certo momento, resolveram sentar em círculo para que cada um falasse sobre suas impressões e aprendizados na Índia, o papo começou e em poucos minutos John Reza Parsiani tomou a palavra, sua reflexão reverberou tanto em minha mente que achei interessante compartilhar suas ideias. John, de origem iraniana, empresário da área imobiliária, disse se considerar um”Rolling Stone“,  uma vez que em sua vida nunca parou muito em um lugar. O trocadilho lhe coube bem, pois além da referência à famosa banda de rock que está sempre na estrada, considera-se também a própria “rolling stone”, ou seja, uma pedra movente.

Desde sua infância mudou inúmeras vezes de lugar no Oriente Médio, Ásia, Europa até que foi parar nos Estados Unidos, onde mora há 15 anos e por acaso onde mais tempo ficou em toda a sua vida. Disse que ser um “Rolling Stone” lhe confere alguns benefícios, o primeiro é ser desprovido de um “chão” e uma vez acostumado a não estar em uma zona de conforto, facilmente se adapta às diversas situações. Isso o ajudou a entender e compreender melhor os contrastes da Índia e absorver o que ela tinha para lhe ensinar. Fez uma comparação interessante entre nossas vidas e a natureza, dizendo que os rios levam uma vantagem imensa sobre os lagos, pois são moventes e podem se expandir para todos os lugares, já um lago fica estancado e represado por seus próprios limites; sem nunca sair do lugar. John seguiu com a reflexão “O que acontece quando jogamos uma pedra em um lago? Ele imediatamente se altera e é possível notar que foi atingido. Já ao jogar uma pedra num rio ele segue da mesma maneira, pois é movente”. É mais difícil, portanto, atingir aquilo que se move. Perguntei se “ser um rio” era sua motivação e ele me deu uma resposta interessante: “Ser um rio é consequência. Ser movente e fluir é uma resultante da minha motivação”.

A lição teve um eco rápido e passei um tempo pensando em sua resposta. Quantas vezes na vida nos sujeitamos aos nossos próprios limites ao invés de forçar sua expansão. Fluir de acordo com a vida não é uma atitude simples ou fácil, mas pode nos proporcionar situações que jamais experimentaríamos se não nos permitíssemos sair da zona de conforto. Os lagos são belos pela sua placidez, e sua calmaria não representa grande ameaça, por outro lado tudo que é parado demais corre o risco de atrofiar. Muitos dizem que ao parar morremos, isso nos negócios, nas parcerias, na criatividade e até em nossa vida pessoal. Entrevistamos inúmeras pessoas nos 5 continentes para entender o que move o ser humano e muitas das respostas vieram acrescidas das palavras “novo”, “novidade”, “criatividade”, “surpresa”, “o desconhecido” e até “o medo”. Pra ver que aquilo que foge do nosso controle e da ordem estabelecida também pode ser uma grande força motriz. Tenho que confessar que o desconhecido também me impulsiona e perder o chão significa pra mim uma grande fonte de aprendizado.

Saber se estamos tempo demais inseridos na zona de conforto e avaliar se nossos limites estão nos estreitando é uma reflexão valiosa. Não importa se no ambiente de trabalho, nos estudos, na vida pessoal ou até no comportamento em grupo, muitas vezes a mudança pode ser uma fonte ilimitada de benesses basta deixar que nossas “águas” nos guiem para nossa verdade e nossos sonhos. Essa é a verdadeira jornada do “herói” que Joseph Campbell tanto falou com propriedade, a jornada de nosso guerreiro interno em busca da liberdade.

Por Luah Galvão

Idealizadores do projeto Walk and Talk | A volta ao mundo em busca de Motivação, os especialistas no assunto Luah Galvão, atriz e apresentadora e Danilo España, fotógrafo, viajaram por mais de 2 anos – visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que motiva as pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema Motivação e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas nessa e em outras áreas de estudo. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br

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