Salário não retém por muito tempo, a importância do propósito nas empresas

Cada vez mais um grande desafio para os gestores, a retenção de talentos nas empresas tem tirado o sono de muitos líderes. Fatores como remuneração e planos de carreira continuam importantes para os colaboradores, mas não são a única nem a maior preocupação. Mais que nunca, o envolvimento e engajamento com a empresa através do propósito, do significado para as pessoas do projeto da empresa tem feito muita diferença.

Participei como palestrante num painel sobre liderança no evento “Liderança em transformação em ambientes complexos”, organizada pela Harvard Business Review. Dividindo o palco com os renomados professores Peter Cappelli de Wharton, e Anthony Mayo de Harvard, e moderados pelo Professor Stavros P. Xanthopoylos, da FGV, foi ponto pacífico na opinião de todos que o significado, o propósito do projeto das empresas faz muita diferença no quesito motivação e retenção.

 Quando contratamos as pessoas, ao entrar explicamos muitas vezes o que esperamos das pessoas, o que eles devem fazer, e como. Acredito que hoje é fundamental para o líder se preocupar em explicar em primeiro lugar, o porque das pessoas estarem ali. É fundamental a participação prática do líder no engajamento das pessoas a partir deste porquê das empresas.

Porque as empresas bem sucedidas fazem o que fazem? Não é só por lucro ou dinheiro. Pelo menos não é por isso que as pessoas acordam cedo e vão trabalhar lá. É por uma causa, um motivo, um propósito. Porque alguém deveria ligar para o que você faz?

Não sou especialista no assunto mas pesquisando vejo que há uma correlação entre nosso cérebro e o modelo de retenção pelo significado. Apenas como ilustração, na parte de fora temos o neo córtex, que responde pela parte analítica e racional.  No interior está a porção que responde pelos sentimentos ( confiança, lealdade), e principalmente por comportamento e decisões. Quando os líderes fazem comunicação de fora para dentro, baseado apenas em fatos e valores, pessoas podem entender rápido muitas informações técnicas, mas não afeta o comportamento. Mas se começam pelo significado, o porquê, afetam diretamente as partes que controlam as decisões, o comportamento e sentimento.

A questão para os gestores não é só vender as idéias do que as empresas fazem ou tem, mas fazer com que as pessoas acreditem no que acreditamos, nos nossos porquês. Daí virá o sentimento de confiança. Ao contratar, se for trazer alguém pelo emprego, posição ou salário, virão só pelo dinheiro. Cada vez mais os líderes que estabelecem conexões fortes com os liderados contratam as pessoas para que construam juntas o que acreditam juntas poder transformar um produto, uma projeto, uma empresa, um serviço.

O contexto onde a empresa e seu projeto estão inseridos, seus impactos sócio-ambientais, sua capacidade de transformar e melhorar, e resolver problemas para os clientes, a ética por trás, tudo isso conta muito.

Neste contexto, o papel do gestor então é exercer de muito clara a comunicação com todos sobre o porque e significado das empresas, ser transparente ao comunicar, ser presente e conseguir organizar as competências das pessoas da melhor forma dentro desse significado, para que as dê tranquilidade de exercer suas melhores competências.

E você, acha que o salário ainda é mais importante ou que a motivação de trabalhar por um significado que você se identifica faz diferença na retenção das pessoas? Comente e ajude a enriquecer a discussão.

 

Marcelo Monteiro de Miranda é o CEO da Precon Engenharia.

É Engenheiro Civil pela UFMG, MBA em Finanças Corporativas pelo IBMEC, MBA por Stanford, cursos e especializações em empreendedorismo, finanças e mercado imobiliário em Harvard e Columbia. Possui carreira executiva nas áreas de finanças, desenvolvimento de negócios e administração geral. Marcelo foi eleito CEO DO FUTURO pela VoceSA, FIA-USP e KornFerry em 2006. Marcelo escreve para o blog CEOs DO FUTURO no Portal Exame.com e para o blog de Harvard Business Review no Brasil. Faz palestras sobre gestão, carreira, liderança, inovação e sustentabilidade. 

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