Em um mundo cada vez mais dinâmico e frenético é natural que rapidez seja algo valorizado em tudo que fazemos. Por exemplo, um website que demora alguns segundos a mais para carregar suas imagens e textos perderá a grande maioria de seus visitantes. Um serviço de download de filmes ou músicas que não seja extremamente rápido não tem chance alguma de se transformar em um negócio viável. É até comum usarmos os termos eficiência e rapidez quase que como sinônimos. Mas será que realizar tarefas rapidamente significa mesmo fazê-las de maneira eficiente?

Cuidado para não cair na falácia de que fazer as coisas mais rapidamente é ser mais eficiente. Em determinadas ocasiões, a melhor estratégia é “dar tempo ao tempo”. Por exemplo: quando se tratar da definição de estratégias decisivas, o tempo deve ser seu aliado e não seu adversário. Da mesma maneira que existe um ciclo biológico que não pode ser alterado, para as coisas acontecerem na natureza, existe também certo tempo de amadurecimento para uma boa ideia ocorrer ou para uma estratégia vencedora se consolidar.

O jornalista Carl Honore, autor do livro In praise of slowness (algo como “O elogio da lentidão”), ainda sem tradução no Brasil, defende a tese de que a cultura obsessiva com rapidez em que vivemos acaba muitas vezes sendo improdutiva. Um exemplo que ele menciona e que, como pai, particularmente me deixou preocupado com o futuro de nossas crianças é o de uma série de livros lançados nos Estados Unidos com histórias de apenas 1 minuto. A coleção foi pensada para os pais “perderem” menos tempo ao ler para os filhos antes de dormir. Ora, ler histórias para um filho antes de dormir é uma forma de aprofundar os vínculos da relação pai-filho. “Resolver” a tarefa em 1 minuto certamente não servirá a esse propósito e, portanto nesse caso rapidez não tem nada a ver com eficiência. Indo de encontro ao tema desse livro, a sabedoria popular já dizia: “quem tem pressa come cru e quente”.

É claro que não estou defendendo aqui nenhum tipo de morosidade para se entregar projetos ou resolver as questões do dia-a-dia. Eu particularmente também gosto de tudo rápido. Mas quando tratamos de temas de extrema importância como o desenvolvimento de nossas habilidades de liderança, pressa é inimiga e não aliada. Michelangelo levou cerca de quatro anos pintando a Capela Sistina, Richard Vagner levou 26 anos para compor sua obra prima – a saga O Anel do Nibelungo – e Nelson Mandela passou 27 anos preso antes de se tornar um dos maiores líderes de nossa história recente. Portanto, celebre o tempo e entenda que para se tornar um bom líder também é necessário “dar tempo ao tempo”.

 

*Renato Grinberg é presidente da Trabalhando.com Brasil e autor do best-seller de carreira/negócios “A estratégia do olho de tigre”. É formado em música pela FAAM, tem pós-graduação em Marketing pela University of California Los Angeles (UCLA), MBA pela University of Southern California (USC) e cursou Melhores Práticas em Liderança na Harvard Business School.

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