Quatro formas de uso dos ativos digitais

O potencial das criptomoedas cresce cada vez mais, assim como as possibilidades diferentes de serem utilizadas. Engana-se quem acha que elas só servem para investidores, com objetivo de gerar lucro; apesar de muitas terem como seu papel principal ser uma reserva de valor, um investimento, como o próprio Bitcoin, outras foram criadas como sistemas que geram valor em outras áreas. Infraestrutura, contratos inteligentes, serviços financeiros… todas essas são opções de uso que exploraremos mais adiante. Inclusive, o Brasil é o país da América Latina que mais investe nesse mercado, principalmente no quesito de uso institucional dos criptoativos, graças à regulamentação desse mercado.

  1. Criptomoedas como reserva de valor

Apesar de ser um ativo de risco e fortemente impactado por fatores macroeconômicos e movimentações políticas, o Bitcoin é uma das principais opções na carteira dos brasileiros para fazer reserva de valor, assim como as Stablecoins (falaremos mais adiante). Chamado de “ouro digital”, essa moeda costuma ser vista como um ativo escasso, descentralizado e mais voltado à preservação de valor do que à criação de aplicações complexas, como o Ethereum.

O fato de não ter seu valor relacionado ao real também faz com que o investimento funcione como uma forma de diversificar patrimônio, principalmente depois que o mercado brasileiro ficou mais estruturado em termos de fiscalização e regras em relação aos criptoativos.

preço do Bitcoin, depois de algumas quedas nesse começo de 2026, tem começado a subir. Mesmo com a alta volatilidade, investidores de longo prazo não deixam de comprar a moeda.

2. Infraestrutura para aplicações

Aqui entram como principais exemplos o Ethereum e a Solana. Esses ativos operam como sistemas blockchains que servem como base para outros projetos, contratos inteligentes e aplicativos.

  • O Ethereum é visto como a base mais consolidada para criar contratos inteligentes, finanças descentralizadas, tokenização e aplicações que priorizam segurança e liquidez.
  • A Solana tem um foco maior em velocidade e custo baixo, oferecendo mais risco, porém, mais escalável e com uso mais prático no dia a dia. O foco da rede está em transações rápidas e baratas, o que fortalece seu uso em pagamentos, remessas, liquidação de stablecoins e aplicações com maior volume de usuários.

3. Stablecoins para pagamentos digitais

As stablecoins são ativos digitais criados para serem estáveis, para não sofrerem com a volatilidade de preço que as moedas digitais costumam ter. Elas geralmente estão atreladas ao dólar, euro ou ouro, e também tem conquistado espaço na carteira dos brasileiros no quesito reserva de valor.

Mas a maior proposta das stablecoins, vistas como o investimento do futuro, é utilizá-las de forma prática, como meio de pagamentos, transferências, proteção cambial e movimentação dentro do mercado cripto, com baixo custo e sem intermediários. Os maiores exemplos dentro desses ativos são a USDT e USDC.

Para as pequenas e médias empresas que lidam com importação e exportação, as stablecoins vieram eliminar a burocracia sufocante e as taxas exorbitantes do sistema bancário tradicional (como a rede SWIFT). Uma transferência internacional que levava de três a cinco dias úteis e custava dezenas de dólares em comissões cambiais e bancárias, cruza agora o globo em poucos segundos, 24 horas por dia, custando frequentemente apenas frações de um cêntimo. É a globalização do dinheiro a acontecer em tempo real.

4. Finanças descentralizadas (DeFi)

Em contraponto aos sistemas tradicionais bancários, as DeFi’s, ou finanças descentralizadas, tem uma proposta de servir como um ecossistema de serviços financeiros, permitindo empréstimos, rendimentos, trocas de ativos e investimentos de forma automatizada por contratos inteligentes.

A verdadeira disrupção do DeFi reside na eliminação total da figura do intermediário humano — o gerente do banco ou o corretor. Neste novo paradigma, o código informático é a lei suprema (“Code is Law”). Se um utilizador deseja obter um empréstimo, não precisa de preencher dezenas de formulários burocráticos, comprovar rendimentos passados ou aguardar semanas pela aprovação subjetiva de um comité de crédito.

Por serem sistemas que atuam com criptomoedas, um mercado que atua todos os dias, o dia todo, eles permitem movimentações de recursos a qualquer momento, diferenciando-se também, nesse quesito, do sistema financeiro tradicional.

Exemplos de diferentes frentes do DeFi:

  • Aave = empréstimos
  • Uniswap = troca de ativos
  • Maker / Sky = stablecoin descentralizada

A tokenização de ativos, o uso para governança e maior segurança em diversas movimentações, a criação de comunidades com as memecoins… O mercado de cripto possui muitas possibilidades, mas requer estudo e acompanhamento recorrente.

A tokenização de Ativos do Mundo Real (RWA – Real World Assets) é, indiscutivelmente, a megatendência institucional que irá dominar e redefinir a segunda metade da década de 2020. Estamos atualmente a observar a transposição de imóveis físicos, direitos de autor de músicas, créditos de carbono, precatórios e até títulos do tesouro público nacional em frações digitais rastreáveis e livremente negociáveis na blockchain. O próprio desenvolvimento avançado do Drex o projeto do Real Digital desenhado pelo Banco Central do Brasil demonstra inequivocamente que a infraestrutura criptográfica será a espinha dorsal oficial da economia nacional de amanhã. Portanto, compreender profundamente estas quatro vertentes não é apenas um mero exercício de curiosidade tecnológica para aficionados, mas sim uma necessidade absoluta de literacia financeira para quem não quer ser deixado à margem da maior e mais rápida reestruturação de riqueza e valor da história económica moderna.