Estresse

Sentindo-se emocionalmente esgotado? Saiba como focar no trabalho e terminar o dia.

Alice Boyes
10 de março de 2021

Sabe aqueles dias em que parece que a vida não está sendo gentil com você? Você descobre que tem de pagar uma conta inesperada e o valor é alto. Distrai-se e bate em um carro estacionado. Tem uma discussão com o seu parceiro. Foi chamado na escola porque seu filho fez algo errado. Um parente querido continua enviando teorias da conspiração e você não aguenta mais.

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Todos nós passamos por isso. E mesmo assim, precisamos continuar cumprindo com as nossas obrigações. Veja algumas dicas para enfrentar situações como essas. Quando administrado da forma correta, o trabalho pode mantê-lo no presente, ajudando-o a lidar com os percalços da vida.

Concentre-se em uma atividade que já conhece e sabe realizar.

Encontre algo em sua lista de afazeres que seja agradável, mas familiar o suficiente a ponto de não demandar muito esforço. Por exemplo, redigir o boletim informativo que você vem compilando todos os meses há anos. Realize a tarefa.

Por que isso pode ajudar? Quando realizamos tarefas com as quais estamos bastante familiarizados, é quase como se a memória muscular entrasse em ação. As etapas do processo já são tão conhecidas que fica fácil se deixar envolver e seguir o fluxo. Atividades que você consegue começar e terminar de uma só vez também lhe trarão uma sensação de realização.

Aproveite para realizar uma tarefa nova que você tem postergado.

Essa dica parece ser o oposto da dica anterior, mas funciona por meio de um mecanismo diferente. Deixe-me explicar.

Ontem recebi más notícias. Comecei a escrever algumas publicações para o blog, conforme a última dica. Em seguida, resolvi fazer algo que “parecia trabalho, mas não era” e que eu estava adiando. Eu precisava reler meu último livro para ter certeza de que não estava repetindo, sem querer, nenhum argumento ou exemplo na próxima obra que pretendia lançar. 

Tarefas que parecem não justificar um espaço no seu expediente normal de trabalho — mas que, normalmente, você não consegue realizar no seu tempo livre — podem ser a escolha perfeita para os dias em que está se sentindo para baixo. Fazer algo que você estava adiando o ajudará a se sentir uma pessoa competente, com a vida nos trilhos. 

Você também pode tentar coisas que normalmente pensaria duas vezes antes de fazer; por exemplo, entrar em contato com uma pessoa da sua área com quem adoraria trabalhar, mas que não conhece pessoalmente, ou realizar algo inspirador e criativo. Por que não preparar uma palestra ou artigo sobre os motivos pelos quais determinada forma de trabalhar considerada padrão pode estar ultrapassada? Ou por que não trabalhar no protótipo daquele projeto sobre animais de estimação que tanto queria? Quando as pessoas se sentem desanimadas, com medo ou sem autoconfiança, elas tendem a recuar. Quando você age como se confiasse nas suas ideias e habilidades, você ganha um antídoto contra esses sentimentos e consegue interromper o redemoinho de negatividade.  

Cumpra metade da sua carga normal de trabalho.

Quando você está deprimido, ser produtivo pode ajudar a melhorar o humor e a resiliência. Longos períodos de afastamento do trabalho raramente são recomendados, até mesmo para pessoas com depressão clínica. Contudo, tentar apresentar alto desempenho após um golpe emocional pode deixá-lo tão esgotado que não terá energia para processar aquilo que o está incomodando. Você precisa de um tempo para se recuperar.

Uma boa ideia é concluir metade (ou 2/3) da sua carga de trabalho normal. Uma meta modesta como essa pode evitar que se sinta sobrecarregado e com aquela sensação de procrastinação. Caso precise tirar um dia de folga para cuidar da sua saúde mental, faça-o e retorne, colocando em prática as dicas acima.

Converse com outras pessoas.

A solidão aumenta o estresse e reduz a produtividade. Portanto, não tenha medo de ser vulnerável diante de seus colegas de trabalho. Conte a pelo menos uma pessoa o que está se passando. Isso vai ajudá-los a entender por que você está um pouco menos estável ou animado do que o normal. 

Já escrevi antes que nossas melhores fontes de apoio durante tempos difíceis, muitas vezes, não são as pessoas mais próximas. Nossos contatos mais genéricos podem realmente ajudar se lhes dermos uma chance. E mesmo os pequenos gestos de apoio vindos dessas conexões superficiais podem ser muito valiosos, pois são geralmente inesperados. 

Isso também significa que você pode evitar falar demais sobre o assunto com sua família ou com os melhores amigos, especialmente se essas pessoas também estiverem enfrentando seus próprios problemas. Além disso, muitas vezes, aquele relacionamento superficial pode se tornar mais próximo. 

Um aviso: esteja certo de compartilhar seus sentimentos com as pessoas em quem confia, aquelas que não vão concluir que você está sendo inútil no seu trabalho, só por estar vivendo momentos de estresse pessoal.

Descarte as emoções negativas.

Não é preciso se preocupar com o fato de que as emoções difíceis que está sentindo irão afetar a sua produtividade. Na verdade, o trabalho pode ser um refúgio quando você está em crise. No meu caso, emoções dolorosas aumentam minha criatividade e produtividade. A raiva (que sinto especialmente quando alguém me subestima) normalmente faz com que eu me sinta mais determinada. A ansiedade tem um impacto mais confuso. 

Portanto, embora ninguém deva agir como um robô capaz de enfrentar qualquer situação com máxima resiliência, não acredite que emoções difíceis terão um impacto negativo em seu trabalho. O segredo é utilizar esses sentimentos para impulsioná-lo e não tentar varrê-los para debaixo do tapete.

Quando as pessoas estão passando por um momento difícil ou de sobrecarga, o instinto pode levá-las a passar o dia todo na internet ou se afogar no trabalho como uma forma de distração. Mas existem opções entre esses extremos que podem ajudá-lo a se sentir melhor, se recuperar mais rápido e ter confiança novamente para lidar com os problemas pessoais que está enfrentando. 


Alice Boyes, PhD, já atuou como psicóloga clínica e agora se tornou escritora. Boyes é autora dos livros “The healthy mind toolkit” e “The anxiety toolkit“.


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