Gestão de pessoas

Três formas de motivar a sua equipe durante uma crise prolongada

Anne M. Brafford e Richard M. Ryan
24 de fevereiro de 2021

Conforme atravessamos mais um mês em meio à Covid-19, que nos forçou a realizar um grande experimento de trabalho remoto, não é de se espantar que muitos estejam com menos motivação, desempenho e bem-estar. Após algum tempo nesse cenário, os gestores precisam de novas ferramentas para revigorar suas equipes, bem como identificar e diagnosticar com precisão dificuldades recorrentes e ajudar, de forma empática, os funcionários a lidar com seus problemas.

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Grande parte da responsabilidade de um líder é oferecer estrutura, orientação e regulação. Contudo, muitos estudos sobre o local de trabalho apontam que o indicador mais importante em um ambiente de trabalho saudável não é uma estrutura externa sólida, mas se os indivíduos conseguem ter motivação interna.

Com base em uma teoria de motivação bem consolidada denominada teoria da autodeterminação, ou SDT na sigla em inglês, identificamos três principais necessidades psicológicas que os líderes devem considerar para ajudar seus funcionários a permanecerem engajados, confiantes e motivados.

Conexão

Significa que seus funcionários se sentem cuidados e que você incentiva um sentimento de pertencimento. Dedique tempo para ouvir as perspectivas de seus funcionários e deixe claro que eles são ouvidos e valorizados. Algumas práticas simples podem ajudar:

  • Reconheça e valide as emoções de seus funcionários, bem como as reações que expressam. (“Sei que pode ser difícil manter o foco nesse momento, mas vamos descobrir uma solução juntos!”)
  • Não deixe as pessoas se perderem na multidão: reduza o tamanho da equipe e reconheça o trabalho e as realizações de cada um, na medida do possível.
  • Quando surgirem problemas, assegure-se de ter um feedback detalhado das pessoas envolvidas. Isso ajuda a identificar as maiores dificuldades e obstáculos, bem como a fortalecer a conexão e incentivar a comunicação.
  • Enfatize que as contribuições das pessoas são únicas e necessárias; não deixe um bom trabalho passar despercebido.
  • Deixe claro que você se preocupa com o bem-estar dos funcionários, não apenas com a produtividade.

Competência

A competência se dá quando uma pessoa se sente eficaz e percebe seu próprio crescimento. Pesquisas demonstram que manter os funcionários responsáveis por metas realistas pode melhorar o desempenho e a ciência motivacional também sugere que confiança gera confiança. Tente adotar as abordagens abaixo para ajudar a estimular a motivação interna na sua equipe:

  • Envolva seus funcionários em decisões onde suas contribuições possam ser valiosas. Solicitar sugestões para otimizar um processo em andamento, por exemplo, pode ajudar a ampliar a autonomia, o progresso e a propriedade.
  • Peça a um funcionário que explique a seus colegas em que está trabalhando ou por que escolheu determinada estratégia. Isso demonstrará o domínio que ele possui de uma tarefa ou habilidade específica. 
  • Estabeleça momentos para discutir o progresso de metas individuais e formular estratégias para alcançá-las.

Autonomia

Bons líderes estimulam a motivação interna apoiando os funcionários para que percebam que são os autores de suas ações e que têm o poder de fazer escolhas alinhadas com seus próprios valores, objetivos e interesses, bem como com os de sua equipe. Os líderes devem promover a autonomia e demonstrar preocupação de forma sincera, sem deixar de reconhecer que cada funcionário é responsável por alcançar os objetivos da equipe. Para ajudar a promover um senso de autonomia, recomendamos que os líderes:

  • Incentivem a tomada de iniciativa e a participação. Pergunte: “Que parte deste projeto você acredita que pode liderar?”
  • Evitem usar linguagem controladora (“Entregue-me isso até amanhã!”) e reduzam os controles coercitivos, como prazos irreais e monitoramento constante de seus funcionários. Em vez disso, encontre formas de motivá-los por meio de incentivo e feedback positivo: “Sei que é um prazo apertado, mas contar com as suas habilidades nesta equipe será muito bom para o nosso cliente.”
  • Sejam transparentes, fornecendo justificativa por trás de cada exigência. As pessoas ficam mais dispostas a se esforçar quando entendem por que uma determinada tarefa é importante.

O ambiente de trabalho tem grande influência nos três canais citados acima, fazendo-os emergir ou parar de funcionar. Sendo assim, é de se esperar que a motivação esteja especialmente em risco nesses tempos de pandemia. Não importa quais sejam as circunstâncias, ficamos mais energizados e comprometidos quando somos motivados internamente por nossos próprios valores, senso de prazer e crescimento. Em poucas palavras, a motivação interna nos inspira a ser a nossa melhor versão. Ao atender às três necessidades psicológicas, os líderes ajudam os funcionários a se engajarem e se sentirem valorizados no trabalho (conexão), motivados pelo crescimento (competência) e fortalecidos e confiantes em suas habilidades (autonomia).Os funcionários que se sentem desvalorizados ou coagidos irão, na melhor das hipóteses, cumprir as ordens de um chefe sem entusiasmo, sem se comprometer por inteiro com a excelência. No pior dos casos, perderão toda a motivação e deixarão de cumprir metas e prazos.


Anne M. Brafford é ex-sócia de um escritório de advocacia, consultora jurídica em prosperidade individual e organizacional e doutoranda em psicologia organizacional positiva pela Claremont Graduate University. É autora do livro “Positive professionals: creating high-performing profitable firms through the science of engagement“.


Richard M. Ryan é psicólogo e um dos criadores da Teoria da Autodeterminação. É professor da Australian Catholic University, North Sydney, na Austrália, e cofundador e cientista-chefe da Immersyve Inc.

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